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Archive for 26/07/2010

O silêncio dos quero-queros

Há duas situações específicas que provam, num campo de futebol, de qual matéria é constituído um sujeito. Não se trata do pênalti no último lance do segundo tempo, do olho do atacante vidrado no globo ocular do arqueiro e da perna que não se sustenta rija por saber que dará o golpe decisivo nos rumos do dia. Qualquer drama é grande demais para ser a definição do sabor de uma vida – ninguém tem tantas epopeias ou tragédias que superem as horas absolutamente comuns. A existência é revestida de acontecimentos bem sutis que moldam o indivíduo. Um homem só sabe a qualidade do metal que puseram em sua forja diante de um zagueiro sanguinário que desliza num carrinho antropofágico – ou frente aos ferrões de um quero-quero. (ilusiona un poquito más)
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