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	<title>ILUSIONANDO</title>
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	<description>Hay que llenar el corazón</description>
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		<title>ILUSIONANDO</title>
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		<title>&#8230; e uma rapadura, por favor</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 17:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maurício Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[(Crônica vencedora do 24º SET Universitário promovido pela PUCRS em 2011. Os textos da categoria eram limitados a 2.800 caracteres) O freio do ônibus ao lado pareceu estourar seus tímpanos e ali teve a certeza de que tudo estava perdido e a cultura ocidental se dirigia para a desintegração. Ou que sua dor de cabeça [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8958&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">(<em>Crônica vencedora do 24º SET Universitário promovido pela PUCRS em 2011. Os textos da categoria eram limitados a 2.800 caracteres</em>)</p>
<p style="text-align:justify;">O freio do ônibus ao lado pareceu estourar seus tímpanos e ali teve a certeza de que tudo estava perdido e a cultura ocidental se dirigia para a desintegração. Ou que sua dor de cabeça estava no nível que sempre chega às quartas-feiras, pontual e inescapável, porque é o dia em que vai ao trabalho mais cedo e volta mais tarde, os dois extremos com o sol fugido do céu, e aquela era uma quarta escura em que até a lua evitava aparecer, no eclipse mais estúpido possível.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre tivera a impressão de que paracetamol se assemelhava a panaceia não apenas por sílabas e sonoridade parecidas – para ele, era mesmo a cura de todos os males. Descobriu que a nitroglicerina, em certas doses, é usada para induzir enxaquecas, e não restaram dúvidas de que há uma ligação entre impressões ingênuas e substâncias. Se a nitroglicerina podia ser usada para explodir rochedos e cabeças, o paracetamol era mesmo uma panaceia e seu nome nada tinha de químico, estando mais para um anagrama mal feito.</p>
<p style="text-align:justify;">A paz custava 99 centavos naquela farmácia. Lembrou-se de um conto que lera, achava que de autoria de um argentino chamado Isidoro Blaisten, em que um homem meio desenganado comprava um objeto que não era revelado no texto. Ansioso para abri-lo, acabava atropelado na hora em que começava a arrancar a fita adesiva do embrulho. Morria agarrado ao pacote e no fim do conto a médica legista abria a caixa, comentando desolada, sem descrever o que havia dentro: “veja a que coisas se apegam os seres humanos”.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele nunca soube exatamente o que o homem da ficção carregava, mas sabia que se aquele ônibus, ao invés de deixá-lo surdo, o tivesse esmagado contra o asfalto como o Mercedes verde-musgo fizera com o personagem do conto, certamente diriam sobre ele algo parecido, tão apegado que estava à sua sacola de panaceia.</p>
<p style="text-align:justify;">De repente, aconteceu. O silêncio o atropelou. Não durou mais que vinte segundos. Logo que entrou na rua vicinal, em pleno centro da cidade, os ruídos sumiram. Cercado de concreto, se sentiu mais calmo do que no ponto mais bucólico que conhecia. Agora, nem som de mato havia. Apenas seus passos e os das cinco pessoas da rua na noite tranquila entre majestosos edifícios envelhecidos pela pintura descascada.</p>
<p style="text-align:justify;">Então lembrou que na porta de casa, já há alguns dias, o tapete que diz “bem-vindo” não está mais virado para o lado que dizem ser o certo. As boas vindas não são para eventuais visitantes, mas para quem sai do apartamento. O mundo anda difícil – ao menos o primeiro passo fora do lar precisa ser acompanhado de uma frase de ânimo. “Bem-vindo – ao mundo”, parece dizer o tapete, que se cala quando ele volta para casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Desta vez, antes de voltar, para num mercado e compra algo doce. Vai cair bem a esperança do açúcar quando a dor de cabeça passar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8958/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8958&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Corvos contra pinguins</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 23:14:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maurício Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não teve grande repercussão, mas merecia, a notícia do jogador de futebol espanhol que decidiu encerrar a carreira nesta semana para fazer algo mais útil para a sociedade. Javier Poves tem apenas 24 anos. Era zagueiro do Sporting de Gijón, time da primeira divisão, mas raramente entrava em campo. Quis descobrir as filosofias do mundo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8955&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não teve grande repercussão, mas merecia, a notícia do jogador de futebol espanhol que decidiu encerrar a carreira nesta semana para fazer algo mais útil para a sociedade. Javier Poves tem apenas 24 anos. Era zagueiro do Sporting de Gijón, time da primeira divisão, mas raramente entrava em campo. Quis descobrir as filosofias do mundo. Nas viagens com o time, lia autores tão antagônicos como Karl Marx e Adolf Hitler (sim). Concluiu: não há amor no futebol. Apenas dinheiro. E não queria mais viver “prostituído” enquanto tantos espanhóis sofrem com o desemprego pela crise.</p>
<p style="text-align:justify;">Poves vai estudar História. Verdade, ele era apenas o reserva do reserva. É possível que sua rebeldia enfática tenha vindo apenas como a melhor desculpa já dada para abandonar uma carreira pouco promissora. Alguém como o argentino Lionel Messi, o melhor e mais bem pago jogador de futebol do mundo, metido no melhor time do mundo, jamais deixaria de lado os milhões, a fama, os gols e as consequências de tudo isso, por causa de alguma ideologia. Mas digamos que deixasse.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa manhã deste verão europeu, com o cheiro das alcachofras (?) recém-florescidas entrando pela janela do seu quarto na concentração de pré-temporada, o craque argênteo acorda com os pensamentos vazios. Dedicado ao futebol desde o início da vida, subitamente se olha no espelho frustrado. Só soube jogar bola esse tempo todo. Leu pouco. Viajou apenas para participar de campeonatos. Nem mesmo sabe direito como é a vida na sua Argentina natal, de onde partiu aos doze anos. Em vez de botar a camiseta de treino do Barcelona, estende a mão até o espelho tentando estrangular o próprio reflexo. Pergunta-se: “¿qué carajo hago yo aquí?”.</p>
<p style="text-align:justify;">Messi caminha pelos corredores do hotel e vai bater à porta do treinador. Comunica a decisão. Sim, sabe o que está dizendo. Não quer mais fazer aquilo. Quer conhecer pessoas. E o mundo. Claro que vai pagar a multa rescisória dos contratos com o clube e com os patrocinadores. Mesmo empobreça. Se sobrar algo, pretende comprar livros e uma passagem para algum ponto da África. Pensa em virar missionário. Ou fazer um retiro espiritual no Tibet. Encontrar o Grande Lionel adormecido que se esconde sob seus eflúvios internos.</p>
<p style="text-align:justify;">O Barcelona diz que as portas ficam abertas. Mas Leo está convicto. Aspirantes a futebolista de todo o mundo cogitam seguir a moda e fogem de casa sem maiores explicações. Os jornais falam em jogada de marketing. No entanto, não se leem notícias de Messi por quinze anos. Um dia o descobrem na Terra do Fogo, o pedaço gelado do extremo sul da Argentina. Fracassou na missão intimista, diz. De fato, só sabia jogar bola. Percebeu isso velho demais para recuperar a forma. Quis retornar ao país natal, mas o mais longe possível das grandes cidades. Seu time agora se chama Cuervitos del Fin del Mundo, e o Lionel Messi de quarenta anos passa as tardes driblando pinguins.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em>(Texto publicado na minha coluna do Jornal da Manhã de Ijuí, na sexta-feira 12 de agosto de 2011. As colunas são assim: limitadas a 3 mil caracteres, curtas demais para impedimentar, e muitas têm finais abruptos, pois, quando vi, não tinha mais letras para avançar &#8211; não é o caso desta, que é só curta. Colocar minhas colunas na internet é um projeto antigo, mas sigo RETICENTE. Esta veio para cá a pedido. O Ilusionando segue desativado, só era o lugar que havia para publicar)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8955/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8955/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8955&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Si yo me llamara Paco Garracuay</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 02:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[Naquela noite e por todas as outras que vieram no espaço de uma semana, sonhou com ela. Abria os olhos míopes e cravava a vista no embaçado teto cor de creme, imerso no misto de confusão e raiva que têm os despertos de sobressalto. No criado-mudo, o ciclópico rádio-relógio perturbava o escuro madrugador com um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8942&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/08/nohayvida.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8943" title="O que é um buraco que perdeu seu fundo?" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/08/nohayvida.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>Naquela noite e por todas as outras que vieram no espaço de uma semana, sonhou com ela. Abria os olhos míopes e cravava a vista no embaçado teto cor de creme, imerso no misto de confusão e raiva que têm os despertos de sobressalto. No criado-mudo, o ciclópico rádio-relógio perturbava o escuro madrugador com um avermelhado três dois pontos zero zero horas. <span id="more-8942"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Havia uns segundos, pudera sentir até mesmo a língua dela em sua boca, num beijo ao mesmo tempo doce e frenético. Agora estava ali, com a cabeça mergulhada na poça de baba do travesseiro. O rosto meio úmido e os olhos coçando. Não a conhecia. No fundo, acreditava que sim. A verdade, assumia, é que a vira poucas vezes. Ou tivera a impressão de vê-la. Nas calçadas envilecidas à meia-luz, ondulantes sacadas de manhãs poeirentas ou além das vitrines em cujos vidros se salientava o brilho dos faróis dos carros.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Momentos rápidos como as boas ideias que se escapam por falta de um papel para anotá-las. Depois, ela não apareceu mais. Só no subconsciente, sem que pedisse, em átimos inesperados nos quais a imagem dela irrompia como uma cordilheira no horizonte dos seus pensamentos lisos. Então queria voltar ao sonho, mas apontava os dedos no ar e não encontrava as bolhas sopradas pela mente noutras madrugadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Dormia quase enforcado nos lençóis, em súplica e sacrifício. Os esboços dela não se punham facilmente no meio das projeções de cada sono. E tudo começara bem depois de vê-la pela última vez. Quando acordara na primeira noite, além de confuso e enraivecido, também estava surpreso consigo mesmo. Havia logrado recuperar uma memória distante e tão fugazmente registrada. E talvez estivesse enriquecendo o recordo com texturas nunca tocadas, sabores jamais provados e sons não ouvidos em tempo algum.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Às dez para as dez, no pretume de uma semana depois, puxou os cobertores. Estava já adaptado às visões que se repetiam sem justificativa. Deitou e dormiu. Rapidamente, pelo cansaço. Pesadamente, pelo álcool. Serenamente, pelo conformismo com o próprio destino. Caiu no colchão muito mais cedo do que vinha fazendo desde sabia lá quantas mil noites antes. Por trás das pálpebras cerradas, e também das impenetráveis persianas brancas, algo devia estar alumiando o céu da quarta-feira.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Não lhe dizia respeito, repetira a si mesmo, entre soluços, momentos antes. Ainda que, por baixo da pele, seus ossos virassem farinha. A antecipação de uma sentença mortal. Afundou-se no sono porque nem a tortura mudou a frequência com que o tambor do peito ribombava – estranhamente, a mesma das tardes de tédio absoluto. Rolou na cama, meio degolado no edredom. Desta vez, ela não despontou: desapontou. Sentira mais agulhadas nisto do que naqueles sonhos repetidos, em que acordava vazio depois de possuí-la.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Quando abriu os olhos, a lua era uma explosão do outro lado da janela. O calor fundia o passado e o presente. Arrebentava o futuro. A primeira coisa foi ligar a tevê. A segunda, ver um sujeito vestido de pirata correr ensandecido com as roupas ensanguentadas. A terceira, perceber como o fio da guilhotina despencava para separar seu crânio do resto do corpo. Dor não havia, anestesiado que estava pelos tempos e pelos líquidos fermentados.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Tinha lucidez o bastante para notar que ela já não era sua. Que ela não queria ser. E resmungou qualquer coisa sobre sonhadores que não sabem viver pelo mesmo motivo que os cronistas esportivos são pernas-de-pau e os poetas românticos são brochas. Amaldiçoou as noites perdidas com visões edulcoradas. Desejou apenas ter nascido um dia num paupérrimo vilarejo do interior dos altiplanos e se dedicado à criação de lhamas, alijado das ambições, dores e amores que não são.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">No negror enfraquecido pelos fogos, as calçadas ganhavam voz e gritavam mais uma vez. Três a um. “Vai dormir, gremista nojento”, estrilou uma janela vizinha, enquanto a segunda bomba de hidrogênio caía sobre a parte azul de Porto Alegre.</div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8942/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8942&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Labaredas do porão</title>
		<link>http://ilusionando.wordpress.com/2010/07/28/labaredas-do-porao/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 02:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cerca de três horas dentro de um ônibus separam Natal de Campina Grande, no agreste paraibano. Duzentos e tantos quilômetros são quase nada para afastar a torcida do Campinense, que tem compromisso na capital potiguar pela segunda rodada da Série C. Garoa no fim da tarde dominical. Pelas frestas do Machadão, despontam muitas camisas listradas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8914&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00629.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8915" title="Torcedor do Campinense observa os aficionados do Alecrim." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00629.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>Cerca de três horas dentro de um ônibus separam Natal de Campina Grande, no agreste paraibano. Duzentos e tantos quilômetros são quase nada para afastar a torcida do Campinense, que tem compromisso na capital potiguar pela segunda rodada da Série C. Garoa no fim da tarde dominical. Pelas frestas do Machadão, despontam muitas camisas listradas em vermelho e negro. Os verdes do Alecrim, time da casa, também se fazem notar. Aficionados locais e visitantes cruzam os pórticos indistintamente. Lá dentro, nada separa campinenses e alecrinenses. A divisão é meramente convencional: apesar de não haver isolamento, os visitantes se apinham à direita das cabines de imprensa. “Nos jogos em que conhecemos a torcida, não é preciso fazer separação”, afirma um policial. <span id="more-8914"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00612.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8916" title="Exterior do Machadão, com o parque de diversões em primeiro plano." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00612.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Os gritos por Alecrim e Campinense, juntos, não superam a marca de três mil gargantas na jornada da terceira divisão. O efetivo de segurança para o jogo fica em torno de noventa homens, mesmo número destacado para partidas comuns de Grêmio e Internacional pela Série A em Porto Alegre – em rodadas com mais público. Não faltam policiais. E eles garantem: o procedimento padrão é telefonar durante a semana para os responsáveis pela torcida visitante e se certificar quanto a “quem” está vindo ocupar os lances de arquibancada do Machadão. A seguir, pedem-se confirmações de que não há pendengas que façam algo acontecer. A ousadia de abrir todos os setores para ambas as torcidas, comentam, acontece quase sempre. Uma das raras exceções é o clássico entre ABC e América. Nas vezes em que os dois principais quadros de Natal se cruzam, o total da guarda sobe para seiscentas cabeças, alvinegros e alvirrubros têm seus setores bem demarcados e até mesmo passam por revista antes de entrar na cancha.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00600.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8917" title="Campinenses marcam presença desde muito cedo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00600.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">No domingo, as duas torcidas podiam ingressar no estádio sem a experiência de serem apalpadas à procura de alguma arma em potencial. As cores distintas polarizadas voluntariamente em dois cantos do cimento começavam agora a fazer subir no ar seus versos, aquecendo-se para um jogo com passado em torneios nacionais: Alecrim e Campinense cruzaram caminhos na primeira fase eliminatória das Taças Brasil de 1964 e 1965 – os paraibanos triunfaram em ambas. Colocados lado a lado neste primeiro confronto entre si em 2010, os espectadores não reconheceram inimigos dentro das camisas opostas. Contentavam-se em ficar indiferentes. Ou agir com civilidade. Campinenses subiam os degraus sem medo e, em caso de dúvida, procuravam o primeiro tipo com jeito de ser da casa para tentar esclarecer a geografia do estádio. Em geral, tencionavam descobrir meios de acessar o anel superior do Machadão, onde se concentravam as bandeiras, estrelas e faixas rubro-negras. A polícia apenas via como os diálogos transcorriam sem problemas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00690.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8918" title="Jutaveira dos Santos, o vendedor de laranjas." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00690.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Com um balaio de laranjas a tiracolo, seu Jutaveira dos Santos é um dos muitos comerciantes que tiram proveito do ambiente pacífico para lucrar. Não falha nas tardes e noites de partidas no Machadão, passeando por entre os torcedores a anunciar seu produto. Seu Jutaveira prepara cem frutas a cada jogo, e se habituou a não ter mais nenhuma quando o juiz encerra o duelo. Cuidadosamente descascadas de modo a lembrar uma pelota de futebol, as laranjas só são abertas diante do comprador, permanecendo suculentas como uma bola que vagueia sobre a linha do gol. Os bagaços que sobram não são transformados em projéteis teleguiados com o rumo do campo – até porque o fosso e a distância exigiriam um braço de arremessador olímpico de martelo.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00649.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8919" title="As estrelas de Campina Grande." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00649.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Assim como não passa pela cabeça dos torcedores atingir a cabeça dos treinadores, jogadores ou repórteres, tampouco se lê nas muretas das canchas as costumeiras mensagens suplicando ao público para que não atire nada no gramado, sob pena de perdas de mando de campo. Os donos dos bares do Machadão poupam segundos preciosos por não precisar encher copos sedentos durante a partida – simplesmente entregam latas e garrafas plásticas aos torcedores, que circulam livremente com elas nas mãos. “Para nós, não é uma arma”, confirma a policial, citando a falta de antecedentes de violência exercida com vasilhames. Quem trabalha nos bares do estádio não tem interesse em saber o que será feito do produto saído de seus refrigeradores, e está certamente mais preocupado com seu próprio futuro – ainda desconhecem o que a sorte e os planos reservam para eles após a demolição da cancha, este passo indispensável para prosseguir com a megalomania que os papéis chamam de Arena das Dunas e prometem erguer para receber o Mundial 2014..</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00668.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8920" title="Metade verde do Machadão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00668.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O Alecrim, um time de bairro – e Alecrim é mesmo o nome de seu bairro, situado na Zona Leste de Natal –, congrega sua torcida com feijoadas antes dos jogos, às vezes seguindo dali para o estádio em carreata. Tem um perfil que se encaixa no clima de camaradagem que toma conta do Machadão. Terceiro maior campeão potiguar com sete títulos, o clube não vê a taça nem chega a finais desde 1986 e se sustenta com um número considerável de torcedores mais antigos. Boa parte deles está acima da faixa dos cinquenta anos. O sucesso na Série D do ano passado, cumprida com uma quarta posição que valeu a subida de nível, lançou uma renovação de ânimo para uma equipe enredada apenas no folclore. O Periquito de Natal lembra com carinho o dia em que um Mané Garrincha de joelhos já destruídos vestiu suas cores para um amistoso, perdido por 0 a 1 para o Sport de Recife, em fevereiro de 1968. Além disso, o Alecrim é o único clube do país que teve um Presidente da República em suas linhas – o natalense Café Filho, máximo mandatário do Brasil por 442 dias entre 1954 e 1955, defendeu o arco alviverde de 1918 a 1919, antes de completar vinte anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00664.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8921" title="Apoio a Carioca." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00664.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Na inauguração da sua passagem pela Série C 2010 os alecrinenses tiveram a primeira baixa. O empate por 2 a 2 fora de casa diante do Salgueiro, de Pernambuco, custou ao volante Carioca todas as partidas do porvenir. Ele rompeu o tendão de Aquiles e não volta nesta temporada. Carioca era o capitão do time, o líder para alcançar o devaneio de intrometer o dito terceiro clube de Natal na segunda divisão brasileira do ano que vem. A faixa carregada pelos companheiros prenunciou a falta que ele faria. E na primeira metade do jogo o Campinense esteve superior, chegando a esmagar uma bola na trave do goleiro alecrinense Jair. Helinho, Somália e André Cassaco, o ataque de três homens do Alecrim, não iam conseguindo fazer com que o foguetório ouvido na entrada do Periquito em campo parecesse capaz de se repetir ao término do confronto.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00634.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8922" title="Títulos do Alecrim. Além dos listados na faixa da torcida, o clube ainda foi campeão em 1924." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00634.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Descendo ao anel inferior para encharcar as entranhas nas copas do Machadão, os do Campinense tinham rostos mais esperançosos no intervalo do zero a zero. Escorados no balcão estendendo notas de dois ou cinco reais, ficavam ombro a ombro com os mais preocupados alecrinenses. Conviviam, mas não comentavam uns com os outros o que achavam da partida. A parte verde do estádio, nas conversas internas, persistia com a ideia de que uma boa volta ao terreno de jogo determinaria o destino dos pontos. O Alecrim regressou como eles imaginavam. O jogo se pôs ainda mais aberto que antes, e a franqueza revelou sequências de oportunidades claras para o time de Natal. Aos 57 minutos, Odair, o substituto de Carioca, tentou um cruzamento, avistou a bola desviando num defensor e empatou o número de redondas nos postes quando ela se estrelou no travessão.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00683.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8923" title="Fragmento do jogo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00683.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O Alecrim se agigantava em proporções semelhantes à subida do estresse da torcida visitante. Unhas começavam a ser devoradas pelos rubro-negros, temendo o fim do saudável empate por placar nulo. O minuteiro se movimentou menos de dez vezes desde que os alecrinenses estapearam o poste, e então o interesse no jogo evaporou. Subitamente, torcedores do Campinense começaram a correr pelas arquibancadas, subindo até as aberturas do Machadão. Logo, pessoas por todo o estádio imitaram o gesto. A certa altura, havia mais espectadores de costas para o campo do que mirando o duelo. Os repórteres também esqueceram a partida, que seguia, e foram até as margens do fosso estendendo seus microfones para entender o que se passava. Na reserva do clube paraibano, Tazinho se aproximou dos aficionados perguntando o motivo das correrias caóticas. Ouviram a mesma frase que desencadeara a loucura: “o ônibus está pegando fogo”.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00656.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8924" title="Um campinense caracterizado." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00656.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">A calmaria com tensão somente pela partida deu lugar à perplexidade. Um dos ônibus contratados para trazer a torcida do Campinense a Natal estava sendo rapidamente destruído pelas chamas. Estacionado a uma distância de menos de cem metros do estádio, era consumido por um calor que podia ser sentido do topo do Machadão. A fumaça negra tomava os ares da noite e se fazia mais visível diante da iluminação do parque de diversões ali ao lado. Alguns solitários extintores começaram a aparecer, já ineficientes para conter qualquer labareda. A polícia, que nada viu, agora tinha alguns homens próximos ao carro. Davam tiros nas janelas, aumentando as inquietações dos rubro-negros com a possibilidade de alguém estar preso no incêndio. “É uma covardia”, balbuciava um catatônico senhor paraibano. Os alecrinenses se mostravam solidários.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00713.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8925" title="O ônibus campinense engolido pelo fogo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00713.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Parte da guarda que ficou dentro do estádio era cercada por alguns visitantes exaltados. “Vocês têm que fazer algo! Têm que botar na cadeia quem fez isso!”, clamavam, já prevendo o que depois se confirmou: nenhum responsável pela segurança prestou atenção no estacionamento e não se identificaram as causas (e causadores) reais do fogo. Pelo anel inferior, um homem empurrava um carrinho de supermercados e recolhia cada extintor que encontrasse pelo caminho. Percorria lentamente, resignado com a inutilidade da sua empreitada. Os bombeiros chegaram a tempo apenas de matar as chamas e revelar o metal enegrecido que o calor retorceu. O motorista declarou ter sentido o odor característico da gasolina muito forte antes de ver o laranja do fogo ganhando da escuridão.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00727.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8926" title="Vulto do ônibus com as chamas morrendo, após a chegada dos bombeiros." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00727.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">No auge do caos, um alecrinense distraído que decidiu voltar a olhar o jogo pôde pegar fios soltos da trama que originou sua vitória. O chute cruzado de André Cassaco não foi interrompido pelo goleiro Diogo, e Somália surgiu de trás, empurrando a esfera na direção das redes. O um a zero que elevou o Alecrim à liderança da chave nasceu aos 71 minutos. O ônibus ainda ardia. As chamas foram vencidas, a estupidez não. A perícia confirmará ou não a suspeita de vinte e oito entre dez pessoas que estavam no Machadão: o incêndio foi criminoso. Os torcedores do Campinense, porém, não cogitaram culpar o povo do Alecrim.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00734.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8927" title="No obscuro da noite, torcedores campinenses se aglomeram nas escadarias de acesso ao anel superior do Machadão, observando a carcaça do ônibus queimado entre incrédulos e indignados." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00734.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">As razões acreditadas para o acontecido são tão surreais quanto o próprio ônibus incinerado numa jornada pacífica de Série C. Confirmada a hipótese de vandalismo, os principais suspeitos seriam membros de torcidas organizadas do América ou do ABC, que nada tinham a ver com a rodada mas mantêm relações amistosas com os representantes do Santa Cruz pernambucano, que por sua vez tiveram, recentemente, confrontos mais brutais com torcedores do próprio Campinense. No fim das contas, porém, pela falta de segurança causada muito mais pelo excesso de confiança das normas do policiamento que por culpa sua, o Alecrim e seus torcedores poderiam vir a ser punidos pelo ocorrido.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Na volta, os torcedores rubro-negros que vieram no carro carbonizado tiveram que se espremer dentro de um dos veículos sobreviventes. Não havia razões para inimizades no Machadão, domingo – mesmo depois do ocorrido, rubro-negros e alviverdes permaneceram convivendo sem atritos nas imediações do estádio. Mas há facções de arquibancada, alianças obtusas e interesses de uns poucos que frequentam os estádios para alimentar suas psicoses. E eles são incrivelmente capazes de se aproveitar da menor brecha dada por policiais que muitas vezes são criticados por excesso de truculência. O ônibus superlotado que cruza a estrada para Campina Grande após a derrota é uma reverberação dos ganidos saídos das profundezas do futebol brasileiro. Uma lembrança de que elas nunca estiveram sob controle.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8914/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8914/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8914&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ilusionandoadmin</media:title>
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			<media:title type="html">Torcedor do Campinense observa os aficionados do Alecrim.</media:title>
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			<media:title type="html">Exterior do Machadão, com o parque de diversões em primeiro plano.</media:title>
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			<media:title type="html">Campinenses marcam presença desde muito cedo.</media:title>
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			<media:title type="html">Jutaveira dos Santos, o vendedor de laranjas.</media:title>
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			<media:title type="html">As estrelas de Campina Grande.</media:title>
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			<media:title type="html">Metade verde do Machadão.</media:title>
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			<media:title type="html">Apoio a Carioca.</media:title>
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			<media:title type="html">Títulos do Alecrim. Além dos listados na faixa da torcida, o clube ainda foi campeão em 1924.</media:title>
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			<media:title type="html">Fragmento do jogo.</media:title>
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			<media:title type="html">Um campinense caracterizado.</media:title>
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			<media:title type="html">O ônibus campinense engolido pelo fogo.</media:title>
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			<media:title type="html">Vulto do ônibus com as chamas morrendo, após a chegada dos bombeiros.</media:title>
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			<media:title type="html">No obscuro da noite, torcedores campinenses se aglomeram nas escadarias de acesso ao anel superior do Machadão, observando a carcaça do ônibus queimado entre incrédulos e indignados.</media:title>
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		<title>O silêncio dos quero-queros</title>
		<link>http://ilusionando.wordpress.com/2010/07/26/o-silencio-dos-quero-queros/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 22:47:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há duas situações específicas que provam, num campo de futebol, de qual matéria é constituído um sujeito. Não se trata do pênalti no último lance do segundo tempo, do olho do atacante vidrado no globo ocular do arqueiro e da perna que não se sustenta rija por saber que dará o golpe decisivo nos rumos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8901&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00489.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8902" title="Torcedores do ABC escorados numa das pontas do Frasqueirão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00489.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>Há duas situações específicas que provam, num campo de futebol, de qual matéria é constituído um sujeito. Não se trata do pênalti no último lance do segundo tempo, do olho do atacante vidrado no globo ocular do arqueiro e da perna que não se sustenta rija por saber que dará o golpe decisivo nos rumos do dia. Qualquer drama é grande demais para ser a definição do sabor de uma vida – ninguém tem tantas epopeias ou tragédias que superem as horas absolutamente comuns. A existência é revestida de acontecimentos bem sutis que moldam o indivíduo. Um homem só sabe a qualidade do metal que puseram em sua forja diante de um zagueiro sanguinário que desliza num carrinho antropofágico – ou frente aos ferrões de um quero-quero. <span id="more-8901"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00431.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8903" title="Fachada do Frasqueirão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00431.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Todo guri que já deu uns pontapés numa bola de futebol em algum quadrilátero de grama aberto sabe como é. Você corre. A ave espreita. Teus passos vêm pesados, afundando os pés na grama fofa dos campinhos mal tratados. O bicho abre as asas. A pelota meio que rola e meio que quica entre os buracos, e se aproxima perigosamente da área protegida pelo ser alado. O quero-quero ergue a cabeça, constata a falta de outras opções para agir e alça voo. Enquanto o menino corre para alcançar a bola vadia, o pássaro observa do ar e mergulha como uma flecha incendiária dos bárbaros de Odoacro. A primeira descida é para alertar. A segunda, para atacar. Mas em geral o jovem metido a futebolista muda o rumo da sua corrida para se afastar ao máximo daquele território perigoso onde um ser emplumado divide a soberania com alguns defensores.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00441.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8904" title="Movimentação dos torcedores próximos ao &quot;C&quot; do &quot;ABC&quot; no exterior do Frasqueirão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00441.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Mesmo no esporte profissional, não são raros os atletas que preferem uma via diferente da que vai desembocar nas cercanias de um ninho. Especialmente no Centro-Sul do Brasil, os gramados dos estádios estão dominados por quero-queros em busca de campinas amplas na imensidão dos quarteirões impermeáveis e pouco verdes das cidades. Há tranquilidade nas canchas na maior parte do tempo, mas semanalmente esta guerra tem nova batalha – vinte e dois sujeitos espadaúdos ou mirrados que não parecem amigos uns dos outros, dois apátridas de bandeiras e um delirante neutro que insiste em apitar aparecem na morada das aves e põem em risco, com seus sapatos de garradeiras, toda a perpetuação da espécie. Contra a destruição e saque de ninhos, a quebradeira injustificada de ovos e as bolas catapultadas por assassinos, há as decolagens kamikazes e a precisão das asas pontiagudas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00456.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8905" title="O capitão Leonardo, do ABC, distribui autógrafos antes do jogo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00456.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Um zagueiro mau, no entanto, dificilmente teme um quero-quero. É notório que os pássaros ficam nos cantos de grama mais pisoteados pela retaguarda de cada time, mas esse convívio forçado não dá uma explicação total para a cumplicidade. Todo zagueiro tem coração de quero-quero. A grande área é o seu ninho. E a ave cortando os ares para defender seu pago e sua linhagem é idêntica, em essência, ao beque erguendo-se do chão para tesourar as pernas de um ofensivo e proteger sua meta. A ignorância é o refúgio final daqueles que não podem fazer diferente. A gambeta é um recurso de quem pode. Pelo triunfo muito mais saboroso que é definir o resultado de uma partida e não simplesmente sustentá-lo, os atacantes velozes fogem. Dos carrinhos. Dos voos rasantes. Tentam se incrustar numa zona que não é a sua, desejando apenas sair rapidamente dali, mas com o objetivo de fazê-lo comemorando o gol.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00525.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8906" title="Disputa de bola entre ABC e Botafogo-PB." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00525.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Na maior parte do tempo, os fazedores de gols não superam o ambiente. Apanham, erram, dependem dum fortuito que cobra sofrimento para vir. Isso é bom. Os antigos calibas, um povo da Ásia Menor conhecido por seus dotes em metalurgia, alertavam que as espadas só se tornavam invencíveis quando feitas de um metal temperado em sangue. Confrontados com o radicalismo analfabeto e animal das últimas linhas inimigas, até mesmo os jogadores constituídos de um latão pouco nobre podem ter suas moléculas reorganizadas de modo a formar um aço resistente. E, de brinde, têm uma experiência válida na formação do seu caráter. Jogadores e torcedores acostumados com cenas de hostilidade compreendem que a vida é feita de momentos dolorosos e necessários. Os brucutus e os quero-queros são indispensáveis para o surgimento de craques. Mas é impossível encontrar quero-queros nos estádios de Natal.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00510.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8907" title="Chapinha celebra o 1 a 0 do Botafogo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00510.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O ABC Futebol Clube, maior colecionador de taças em solo potiguar, é um dos únicos clubes do mundo a ter sido cinquenta vezes campeão de alguma coisa. Ganhou 51 títulos estaduais, incluindo dez em sequência entre 1932 e 1941. Só o Rangers, com 53 ligas escocesas, repetiu em mais ocasiões uma conquista. Em 2010, o alvinegro natalense conquistou novamente a taça local, aparece com a segunda melhor campanha do Campeonato do Nordeste e estreou com vitória na Série C nacional. Contudo, talvez o maior orgulho da maior torcida do Rio Grande do Norte não esteja nos números, na atualidade ou na sala de troféus. Trata-se de uma massa que infla o peito para, com um mapa de Natal em mãos, avisar que, nas cercanias de Ponta Negra, perto dos limites do município, está uma das “Sete Maravilhas” do Estado. E que na entrada dela está bem claro que é propriedade do “Mais Querido”.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00500.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8908" title="Panorama do Frasqueirão desde a beira do campo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00500.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Desde 2006, o ABC tem uma casa própria para botar nas súmulas dos seus jogos como mandante: o Frasqueirão. Frasqueira é como chamam a torcida do clube. O nome do estádio homenageia os aficionados e ironiza o passado. Conta-se que, nas primeiras décadas do século XX, os torcedores abastados do rival América sentavam nos setores cobertos do velho Estádio Juvenal Lamartine e se divertiam com a situação dos apoiadores rivais: mais popular, boa parte da torcida do ABC assistia aos jogos em pé, entre o muro das arquibancadas e o alambrado que cercava o campo. Na visão dos americanos, o setor repleto de alvinegros ficava lembrando uma frasqueira, dentro da qual se colocam recipientes na posição vertical. Como é habitual no futebol, o apelido depreciativo foi aceito e adotado. Hoje, a turma da Frasqueira tem um estádio inteiro seu. O América depende do Machadão, público.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00587.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8909" title="ABC tentando alcançar o empate." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00587.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">No último sábado, enquanto folgava no seu pentagonal da primeira fase da Série C, o ABC chamou o Botafogo paraibano para um amistoso. Os potiguares deram chance a estreantes e reservas que vinham sendo pouco utilizados. Os visitantes tentavam amainar a crise que fez sua torcida trazer faixas viradas a Natal – o Botafogo é lanterna do Campeonato do Nordeste e estaria sendo rebaixado para uma segunda divisão que ainda não existe. Começaram bem, os de João Pessoa. O ABC foi para o intervalo perdendo com um gol de CHAPINHA, que, mesmo fracassando nas vinte e sete tentativas de driblar o goleiro no lance, foi capaz de marcar. Na etapa complementar, mais pressão do Botafogo. O protesto da torcida sumiu discretamente, com a retirada da faixa. Cresceram as vozes descontentes dos locais.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00588.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8910" title="Instante do empate do ABC, aos 90+3 minutos." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00588.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O ABC foi por investidas mais convictas nos minutos derradeiros. Logrou o empate por 1 a 1 no momento final da partida, após um escanteio aos 90+3 minutos: João Paulo Mineiro desviou na primeira trave e Édson completou para as redes. O empate da equipe cheia de reservas devolveu os sorrisos ao Frasqueirão. Estes são tempos otimistas para os alvinegros de Natal, que têm conseguido angariar mais e mais torcedores apenas seus – há por todos os cantos do Nordeste o esforço de quebrar o histórico de aficionados que dividem a paixão local com o interesse por clubes do Sul e Sudeste, priorizando estes. O time deste ano vem bem. O retorno à Série B é plausível. O título do Campeonato do Nordeste, também. Mas, no sábado, a cada tentativa de carrinho dos jogadores, algum torcedor pacifista se fazia ouvir:</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">– É só um amistoso!</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Só que também era o ABC tendo sua casa invadida e precisando lutar para manter a honra imaculada. Seguem faltando quero-queros nos gramados de Natal.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> *</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
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		<title>Tristes versos de Natal</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 07:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Estádio Machadão, em Natal, é um iluminado disco de concreto que parece ter saído das páginas de um álbum de ufologia para pousar no meio da capital dos potiguares. A definição é certamente menos interessante que a escolhida em 1972 pelo então governador do Rio Grande do Norte, José Cortêz Pereira, quando da inauguração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8887&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00348.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8888" title="Solitária luz na escuridão das noites americanas." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00348.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>O Estádio Machadão, em Natal, é um iluminado disco de concreto que parece ter saído das páginas de um álbum de ufologia para pousar no meio da capital dos potiguares. A definição é certamente menos interessante que a escolhida em 1972 pelo então governador do Rio Grande do Norte, José Cortêz Pereira, quando da inauguração da cancha: um “Poema de Concreto”. Mas, numa sexta-feira em que o América confronta o Bragantino por uma esquecida rodada da Série B, os gigantescos degraus vazios soam muito mais alienígenas que poéticos na noite do Nordeste. <span id="more-8887"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00311.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8889" title="Comércio no exterior do disco voador." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00311.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Zanzando pelas arquibancadas com uma câmera no pescoço, eu também não tinha jeito de ser do mesmo planeta que os torcedores americanos ali presentes. “Where are you from?”, escuto, ao intervalo da partida. No típico inglês de quem está acostumado a tratar com turistas de todos os cantos. Respondo: “do outro Rio Grande, o do Sul” – e quase aponto para uma flâmula do Grêmio pendurada numa copa próxima, ao lado de bandeirolas de clubes paulistas e cariocas. O torcedor pergunta, agora em voz baixa, para si mesmo: “mas veio até aqui pra ver&#8230; esse América?”. Ele se afasta, talvez pensando que naturalmente sou louco, mas pelo menos não um pedófilo europeu fazendo turismo sexual por ali, que só entrou no Machadão por engano, já que o estádio fica ao lado dum parque de diversões.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00323.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8890" title="Churrasquinho, América... e o onipresente Flamengo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00323.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Diz aquilo porque sabe que o América não costuma ser dos clubes capazes de atrair viajantes de outras partes interessados no seu futebol. Ainda mais num ano desses, em que nem mesmo os torcedores estão desejando ver seu time. Havia 1.451 pagantes no estádio, sexta-feira. Reflexos de uma temporada deprimente. Apesar de ter entrado em 2010 como único clube do Estado numa divisão tão alta em nível nacional, o América seguiu com o seu mais largo jejum de títulos estaduais desde os anos 1960 – já emenda sete temporadas seguidas sem taça; neste ano, viu o rival ABC ganhar seu 51º campeonato e ampliar a diferença de conquistas para dezenove em relação ao Diabo, um dos muitos apelidos do América. No recriado Campeonato do Nordeste, o mefistofélico Mecão ocupa um frustrante meio de tabela e, na Série B, completa sua tríade: antes de sexta, havia vencido um jogo em nove.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00331.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8891" title="Torcedor escuta o pré-jogo na imensidão seca de almas do Machadão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00331.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Pequenas aglomerações de torcedores se formam em alguns cantos antes do jogo, e olhos destreinados preveem um bom público dentro do disco voador aterrado. São, na verdade, grupos pontuais, próximos a carrinhos que vendem comidas e bebidas para todos os gostos – dentro e fora do estádio. Em Natal, não é hábito atirar os produtos dos ambulantes dentro de campo. Talvez pelo fato de o adversário da noite ser o Bragantino, que simplesmente não tem nem traz torcida para esta banda, o numeroso policiamento se contenta em observar. Não faz revista nos aficionados que entram e, ao contrário dos seus correspondentes em outras regiões, passa a noite sem considerar garrafas plásticas como armas letais. Permitem que sejam vendidas e deixadas nas mãos dos torcedores com a mesma despreocupação direcionada às embalagens de pipocas nas quais está impresso o escudo do América.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00349.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8892" title="Parece cheio, mas é ilusão. 1.451 pagantes, e pouco menos que o dobro de público total." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00349.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Os jogadores do Mecão bem mereceriam algumas garrafadas por atuarem tão mal, mas a torcida se contém. Depois de começar levando alguns sustos, o quadro natalense vê como o Bragantino se apequena aos vinte minutos, quando tem um homem expulso. Toda a tendência da partida se inverte – dali em diante, o América tem o controle pleno do confronto direto contra o descenso. Como os alvirrubros, o Bragantino só venceu uma vez no certame, mas tem mais pontos em empates. O América, contudo, passa tempo demais tocando a bola à procura de um momento perfeito, um toque final e um espaço que se abra magicamente. Como se o corredor até o gol fosse uma terra prometida pelos avós e a troca de passes representasse a espera prevista em alguma profecia. Mas o América de Allan Delon confiou demais numa lenda que o Bragantino de Léo Jaime esteve disposto a rasgar durante todos os noventa minutos.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00356.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8893" title="Orgulho." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00356.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">A brecha jamais surgiu. O tempo avançou sem que o time da casa conseguisse uma única oportunidade de invadir a área paulista em condições de bater a gol. A melhor chance da partida veio num chute de muito longe, aos 76 minutos, quando Fábio Neves acertou o travessão. O tamanho do lance ilude, pois no resto do tempo houve o tédio. Ainda assim, não era uma opção deixar de aguardar que chegasse o momento do América. Ao filho pequeno que pediu para ser levado ao banheiro na metade do segundo tempo, a mãe disse “faz aí”, apontou um canto da arquibancada, e seguiu vendo as investidas pífias do seu time. O menino, com a indiferença ao futebol que costumam ter os meninos nesta idade, abriu o zíper da calça e criou um córrego no concreto, na altura do meio de campo.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00395.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8894" title="Na bola, 0-0." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00395.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">As críticas gritadas, as vaias, os clamores desesperados para que a equipe abdicasse do irritante e malfadado jogo pelo meio – “esse time não sabe jogar pelas beiradas”, repetia-se –, as vozes somadas dos poucos americanos que se dignaram a pisar no Machadão na sexta-feira não mudaram o zero a zero. Raras vezes um time sai de campo tendo ouvido mais impropérios que o árbitro e mais raras ainda quando é o quadro mandante. Após setenta dos noventa minutos em superioridade numérica, os onze homens do América conseguiram a proeza por não conseguir um gol. Diz a tabela que o Mecão está ameaçado de rebaixamento. A atuação urra com mais ênfase que os números: seguindo desta forma, o time está perdido. Se a Segunda Divisão é mesmo o Inferno dito por muitos clubes grandes, não é o Diabo de Natal que manda alguma coisa nele.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00350.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8895" title="Tu não presta mas eu te amo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00350.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Como o ABC vem realizando partidas no Frasqueirão, seu estádio próprio, essas derrotas do América na B e mais alguns jogos do Alecrim, o terceiro clube de Natal em importância, na C, podem ser as despedidas do Machadão. Escolhida como sede da Copa de 2014, a capital do Rio Grande do Norte deve pôr no chão até o fim deste ano o estádio inaugurado em 1972. Em seu lugar, começará a ganhar contornos a futura Arena das Dunas – até agora, o mais caro, confuso e atrasado projeto para o Mundial. Se Natal cumprir os prazos para a Arena, o Poema de Concreto de Côrtez Pereira chegará aos seus últimos versos. Para o América, um final com ares de elegia, não de ode.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum </strong>(de Natal)</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8887/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8887&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ilusionandoadmin</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00348.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Solitária luz na escuridão das noites americanas.</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00311.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Comércio no exterior do disco voador.</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00323.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Churrasquinho, América... e o onipresente Flamengo.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00331.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Torcedor escuta o pré-jogo na imensidão seca de almas do Machadão.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00349.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Parece cheio, mas é ilusão. 1.451 pagantes, e pouco menos que o dobro de público total.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00356.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Orgulho.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00395.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Na bola, 0-0.</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00350.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Tu não presta mas eu te amo.</media:title>
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	</item>
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		<title>Quatro (mil, anos)</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 08:03:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[Toríbio Herculano tem um nome bom demais para ser real, ainda mais se ostentar no sobrenome alguma coisa como, digamos, Cachoeiro. Toríbio Herculano Cachoeiro, se existisse, seria torcedor do Grêmio, teria uns dezoito ou dezenove anos e manteria uma carteirinha de sócio do clube. Carteirinha do plano que não há mais, aquele que garantia entradas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8869&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00094b.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8870" title="O vazio de uma noite chuvosa no Olímpico, em 2010." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00094b.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>Toríbio Herculano tem um nome bom demais para ser real, ainda mais se ostentar no sobrenome alguma coisa como, digamos, Cachoeiro. Toríbio Herculano Cachoeiro, se existisse, seria torcedor do Grêmio, teria uns dezoito ou dezenove anos e manteria uma carteirinha de sócio do clube. Carteirinha do plano que não há mais, aquele que garantia entradas gratuitas no estádio até o fim dos dias, e para o qual era preciso pagar uma joia – no tempo em que era jóia, com acento. Toríbio viu o valor da mensalidade dobrar desde que entrou nos quadros sociais do clube, ouviu os boatos de que perderá seus direitos na futura Arena, mas, por não possuir responsabilidades muitas e manter algum ânimo de ajudar o Grêmio, continuou firme. Exibia até com algum orgulho a data da matrícula: dezessete de agosto de 2006, um dia depois de o Inter ganhar a Libertadores da América – “não me mixei”. <span id="more-8869"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00126.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8871" title="Esse é o cara." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00126.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Toríbio Herculano Cachoeiro, dezoito anos e alguns quebrados, natural de Poço das Antas, sustenta com sua mensalidade que paga antecipada todo janeiro – para pegar o desconto, que ninguém é de ferro e a crise nunca foi marola – os salários de Hugo Henrique Assis do Nascimento, vinte e sete anos, natural do Rio de Janeiro e residente em Porto Alegre, embora não tenha preconceitos e durma em qualquer gramado pelo Brasil afora. Hugo, meio-campista cuja nau parece ter ido a pique enquanto tentava singrar para o lado de lá do Cabo da Boa Esperança do apogeu futebolístico, dedica alguns minutos, duas vezes por semana, à Revolução. Não empunha bandeiras vermelhas, pois não pegaria muito bem na condição de jogador do Grêmio, mas de certa forma está contra o Sistema, essa entidade malévola representada na figura pastoral de Silas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00188.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8872" title="Cedo, o Vasco fez 0 a 1." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00188.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Ao menos é no que Toríbio quer acreditar. A imagem do boicote ao comandante é a alternativa mais confortável para um povo que ainda não assumiu completamente que seu time possui limitações sérias e prefere crer no rebaixamento como uma situação artificial criada pelas circunstâncias.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00192.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8873" title="Hay que jugar al waterpolo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00192.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O maior passatempo dos gremistas nos dias de hoje é pensar no que fariam ou diriam a Silas e Luiz Onofre Meira caso os encontrassem numa obscura ruela porto-alegrense. O plano mais cruel citado nas imediações do Olímpico inclui uma mordaça, correntes, e uma viagem até o centro de Bagé, onde o sujeito seria abandonado com uma plaquinha suicida no pescoço dizendo “Fronteiriços maricões”. Na falta de perspectivas de realizar esses anseios brutais, algumas facções da torcida tricolor vêm planejando brigar entre si, no que em breve poderá ser o segundo maior passatempo dos gremistas, superando em preferência o ato de dormir na hora das partidas, que atualmente vem sendo a resposta silenciosa à falta de motivação dos jogadores.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00238.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8874" title="Disputas sem fim na chuva." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00238.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Tudo é turvo quando se fala no futebol do Grêmio após a Copa do Mundo. Ele, que antes do Mundial provocara um número de jogos bons contáveis apenas nos dedos de uma mão, agora desapareceu. É como quando se vê o sol se pôr no meio de um denso nevoeiro e não se tem a certeza de que ele voltará no dia seguinte. Foi por isso que Toríbio, ao sair de casa na quarta-feira tempestuosa de Porto Alegre, pensou que seria uma boa noite para seu time. Chovia. Mais do que chovia: a água ocupava tanto espaço que o ar parecia vir em bolhas até as narinas, e não seria surpresa se algum SALMÃO dos córregos vizinhos errasse o caminho e começasse a nadar pelo rio que vinha das nuvens. Tanto líquido espalhado pelo campo só poderia significar que não haveria espaço para futebol no jogo do Grêmio contra o Vasco.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00250.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8875" title="A chuva seguiu engrossando." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00250.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">“Excelente”, pensou Toríbio, certo de que este tricolor não exibe futebol, mas algo vagamente parecido com. Os primeiros minutos da partida fizeram o entusiasmo ser revisto. A cada carrinho e dividida que punham o gramado a soltar água para todos os lados como um cusco ao sair do banho, notava-se mais claramente que nem o futebol nem a atividade desempenhada pelo Grêmio nas últimas semanas eram praticáveis ali. Ia-se por uma terceira via. Com o gramado transformado numa autêntica várzea – no sentido puro e não-futebolístico da palavra –, os defensores do Vasco foram os fragmentos de time que melhor compreenderam o que deveria ser feito, e as ESCARRADAS do céu só não foram mais abundantes que os chutões cruzmaltinos. E que os erros de Heber Roberto Lopes, o Calvo, que nunca gostou muito do esporte e, para complicá-lo um pouco mais, mal cogitou interromper a partida por falta de condições climáticas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00262.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8876" title="Buceo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00262.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Os gols da primeira etapa, um numa falha de Victor após bola parada e outro num chute de incomum felicidade de Jonas, já estavam bem distantes na linha de tempo do jogo quando, em meados do segundo período, a torcida gremista gritava para que se lançassem na área vascaína até as cobranças de falta efetuadas atrás do meio de campo. O Grêmio atendia e acumulava erros miseráveis, enquanto às orilhas do gramado Silas retardava suas próprias substituições recitando longos tratados sobre tática, vida e atualidades para o reserva que esfriava sob a chuva. Talvez questionasse William Magrão sobre os vendavais que rodopiaram por Gramado e Canela, pois no universo alternativo de Silas é bem possível que um jogador aquecendo na alienação de trás do gol esteja sabendo todas as notícias da noite.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00265.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8877" title="Várzea." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00265.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Nisso, o telão do Olímpico exibiu o público de pouco mais de quatro mil pagantes, quiçá o menor do Grêmio num jogo de Série A desde que o time voltou para a elite, em 2006. Ah, 2006. No espaço coberto da social, apinhado de torcedores procurando fugir da chuva, Toríbio puxou seu cartão de sócio, lembrou de quatro anos atrás, do dia dezessete de agosto e de tudo o que havia na alma dos gremistas. Era o tempo da reconstrução. O Inter começava a acumular glórias, mas os tricolores voltariam a erguer seu clube e levá-lo longe assim novamente. O quadro social do Grêmio inchou a ponto de certos planos com mais regalias serem abolidos. O presente anunciava um futuro dourado, ainda que distante, e havia noção disso para suportar os vice-campeonatos doídos de 2007 e 2008 – eram jornadas grandiosas que aconteceram cedo demais. O re-estabelecimento verdadeiro ainda viria.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Mas o que veio foi 2009.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">E um jogo sem alma seguido de outro jogo sem alma que trouxe na sequência mais um jogo sem alma levaram o time às semifinais da Libertadores e construíram uma extraordinária invencibilidade em casa, mas já então não ecoava pelas arquibancadas o mesmo sentimento dos anos anteriores. Os gremistas perderam o espírito de defender uma causa parida nos Aflitos, a de que se lutaria até o fim pelo futuro, porque deixaram de ver em campo a própria luta pelo futuro. Do discurso brasa-molhada da direção aos treinadores que sacaram a pegada do time, passou-se pelo desmanche do que se remontava. O time que em 2006 fez a esperançosa melhor média de público do Brasil tem agora quatro mil pessoas cansadas no estádio – sem a chuva, talvez fosse o dobro disso, o que ainda seria pouco. Quatro anos depois dos torcedores que não queriam saber do sucesso do Inter para se associar ao Grêmio e fazer o amanhã, estamos no amanhã com o tricolor de volta à zona de rebaixamento e os colorados à beira de vencer mais uma Libertadores.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00272.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8878" title="Chuta que é macumba." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00272.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Quando a reluzente careca de Heber se esticou para que ele soprasse o apito pela última vez na quarta-feira, o um a um fez os quatro mil e poucos aficionados vaiarem. Toríbio consolou-se comentando para um amigo: “pelo menos o Silas vai cair e a coisa deve melhorar um pouco”. Depois escutou no rádio que nem isso aconteceria. São anos difíceis para os gremistas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8869/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8869&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">O vazio de uma noite chuvosa no Olímpico, em 2010.</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00126.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Esse é o cara.</media:title>
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		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00188.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Cedo, o Vasco fez 0 a 1.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00192.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Hay que jugar al waterpolo.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc00238.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Disputas sem fim na chuva.</media:title>
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			<media:title type="html">A chuva seguiu engrossando.</media:title>
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			<media:title type="html">Buceo.</media:title>
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			<media:title type="html">Várzea.</media:title>
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			<media:title type="html">Chuta que é macumba.</media:title>
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		<item>
		<title>“A Seleção Espanhola foi um ponto de união de todo o país”</title>
		<link>http://ilusionando.wordpress.com/2010/07/17/%e2%80%9ca-selecao-espanhola-foi-um-ponto-de-uniao-de-todo-o-pais%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://ilusionando.wordpress.com/2010/07/17/%e2%80%9ca-selecao-espanhola-foi-um-ponto-de-uniao-de-todo-o-pais%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 01:27:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde domingo, os espanhóis tocam o céu. Mas só se interessam por uma estrela: a que simboliza o título mundial. Por conta das defesas de Iker Casillas, da artilharia de David Villa, do gol do agora imortal Andrés Iniesta, da maestria de Xavi Hernández no centro, da segurança de Carles Puyol na defesa&#8230; ou das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8849&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca5.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-8850" title="Crônica de Santiago Segurola no Marca do dia 12 de julho. Na ficha técnica, o detalhe: ao invés das tradicionais notas até 2 pela atuação de cada jogador, todo o time espanhol ganhou 4." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca5.png?w=600&#038;h=452" alt="" width="600" height="452" /></a>Desde domingo, os espanhóis tocam o céu. Mas só se interessam por uma estrela: a que simboliza o título mundial. Por conta das defesas de Iker Casillas, da artilharia de David Villa, do gol do agora imortal Andrés Iniesta, da maestria de Xavi Hernández no centro, da segurança de Carles Puyol na defesa&#8230; ou das profecias do “pulpo” Paul no Aquário de Oberhausen. Não importa a que exatamente se deveu a vitória, como tampouco importam os clichês tão repetidos pela imprensa brasileira de que o título espanhol representou o triunfo do futebol bonito e etcétera. O momento em que a taça foi erguida o mais alto possível para que todos pudessem ver que a frase tão sonhada – “A Espanha é campeã do mundo” – era enfim real transcende o futebol: a crise econômica e o desemprego foram esquecidos por alguns dias, e até o povo das regiões separatistas esteve ao lado da Seleção como nunca antes. Por todo o país, 86% dos televisores estiveram ligados na transmissão do jogo contra a Holanda e, após o apito final, mais de 25 milhões de espanhóis tomaram as ruas em celebração. A realidade volta a se impor conforme os dias mundialistas vão se quedando no passado, mas na Espanha ainda se flutua entre as nuvens. Com o suporte de <a href="http://callesoriano.wordpress.com/" target="_blank">Iuri Müller</a> e <a href="http://maladegarupa.wordpress.com/" target="_blank">Yuri Medeiros</a>, conversei na sexta-feira com <strong>Roberto Palomar</strong>, redator-chefe do Diário Marca de Madrid, o maior periódico esportivo da Espanha. A entrevista que se segue é um relato desde o paraíso proporcionado pelo título mundial.  (<em>Todas as imagens que ilustram a postagem são reproduções das páginas do Marca de segunda-feira, 12 de julho de 2010, dia seguinte à conquista do planeta</em>)</div>
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<div style="text-align:justify;"><strong>P: O Marca fala muito da Idade de Ouro do esporte espanhol. O que é a Idade de Ouro e como o título Mundial da Seleção Espanhola entra neste ciclo?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: A Idade de Ouro do esporte espanhol compreende os grandes êxitos dos esportistas espanhóis nesta década. Estamos com Rafa Nadal, que é o número um no tênis; com os dois títulos mundiais de Fernando Alonso; com o campeonato mundial de basquete e os dois anéis de Pau Gasol na NBA, pelo Los Angeles Lakers; com os dois Tour que Alberto Contador ganhou na França, e aqui na Espanha o ciclismo é um esporte muito seguido&#8230; Com tudo isso, faltava que a Seleção Espanhola de futebol se incorporasse a esses êxitos. No futebol espanhol, é verdade que em se tratando de clubes há potências importantes como o Real Madrid e o Barcelona, mas faltava o sucesso da Seleção Espanhola. Então, a vitória de domingo contra a Holanda serve um pouco para fechar o círculo mágico: nos grandes esportes do mundo, a Espanha é uma potência e, felizmente, o futebol se incorporou a essas vitórias.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: E como o povo recebeu a conquista, principalmente nas regiões separatistas, como o País Basco e a Catalunha?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Contrariamente ao que se poderia pensar, as audiências de televisão na Catalunha e no País Basco demonstravam que o seguimento da Seleção Espanhola era importante. Inclusive, quando se jogou a final, houve telões na rua e nos lugares públicos, onde o povo pôde se concentrar. Muita gente foi para as ruas com bandeiras espanholas, tanto no País Basco quanto na Catalunha. É algo que aconteceu já na Eurocopa de 2008 e que é muito estranho de ver, porque é certo que existe um pouco esse clima de autogoverno que querem ter a Catalunha e o País Basco. No entanto, a Seleção foi um ponto de união de todo o país, e foi um êxito absoluto, com o povo na rua e as bandeiras nas janelas das casas. Eu estou convencido de que, se ao invés de ter aterrissado em Madrid, a Seleção tivesse pousado em Barcelona, teria havido uma recepção similar.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Pergunto isso também porque o Diário Sport de Barcelona colocou na capa, durante a Copa do Mundo, sempre notícias do Barça em destaque, e não da Seleção. É possível dizer que há um movimento contra a Seleção, mas que não seria tão forte?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Não há movimento contra a Seleção. O que acontece é que o Diario Sport tem um mercado na Catalunha, e isso é indubitável, e para eles é mais interessante vender os êxitos dos jogadores do Barcelona, nas suas seleções e na equipe espanhola. Não creio que isso possa ser interpretado como um movimento contra a Seleção. O que acontece na Catalunha e em Barcelona é que eles dizem que o jogo da Seleção é muito parecido com o do Barcelona. Precisamente porque há no time sete jogadores do Barça. Oito, agora com o Villa. Então se diz que a Espanha vive às custas do Barcelona. Mas isto, no resto da Espanha, se aceita: é verdade que a Seleção Espanhola se nutre de jogadores do Barcelona. Disso ninguém pode esquecer, nem de que o jogo é parecido. Mas estamos muito contentes que a Espanha jogue como o Barcelona, porque o Barcelona é o time que melhor joga no mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca2.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-8851" title="A celebração por todos os cantos da Espanha." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca2.png?w=600&#038;h=395" alt="" width="600" height="395" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Durante a Copa do Mundo, Casillas comentou que o futebol fez o povo esquecer um pouco da crise pela qual passa a Espanha. O título pode inspirar o país de alguma maneira fora do esporte?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: É verdade que durante todo esse mês as partidas da Seleção foram vividas de forma muito intensa na Espanha, e o povo pôde esquecer um pouco da crise. Principalmente para o governo, eu creio que eles devem ter gostado de que se falasse de futebol e não de crise. O que ocorre é que agora, nesta próxima semana, vamos voltar à crua realidade: os impostos subirão, subirá o petróleo e todas essas coisas, e isso não é segredo para ninguém. É certo que houve um pequeno incremento no Produto Interno Bruto, que subiu 0,7% durante a Copa do Mundo. Isso porque o povo consumiu mais: foram vendidas muitas bandeiras, muitos jogos foram vistos em locais comerciais e em bares – as pessoas saíam para tomar cerveja, tomar café, enquanto viam as partidas. Houve então uma pequena incidência, muito pequena, na economia espanhola, e isso é importante. Toda a vida foi assim, não? Quando há êxitos esportivos, a questão política fica um pouco de lado – neste caso, a crise. Na Espanha foi assim. Foi uma loucura. Durante este mês, aqui só se falava de futebol, não de crise.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Voltando então ao futebol. Não soa absurdo que a Espanha não tenha nenhum jogador entre os três melhores da Copa, segundo da eleição da FIFA?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Sim, soa absurdo. Mas também soava absurdo durante os jogos, quando chegava a escolha do melhor jogador da partida. Não falo só dos jogos da Espanha, falo em geral, em todos os encontros: raramente coincidia o melhor jogador de verdade com aquele que a FIFA dizia. Eu não sei muito bem como é feita esta eleição e ela é um pouco estranha, porque não pode ser que a Seleção campeã, a equipe que supostamente jogou o melhor futebol – ou que está entre as três ou quatro que melhor jogaram – , não tenha tido mais jogadores indicados ao prêmio, ou que a Bola de Ouro não tenha sido vencida por um jogador espanhol. O que sucede é que aqui na Espanha nos damos por satisfeitos com a Copa. Para nós é indiferente que não haja nenhum jogador nosso entre os premiados ou que não tenham se lembrado de mais algum deles. Nós estamos com a taça e pronto. Mas é raro o sistema de eleição da FIFA, eu realmente não o entendo muito bem.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Aqui no Brasil em 2002 se comentou muito que Ronaldo não ganhou a Bola de Ouro da Copa, e sim Oliver Kahn&#8230;</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: É incrível. É incrível que Oliver Kahn tenha sido o melhor jogador daquele torneio, quando precisamente na final quem ganhou aquela partida foi Ronaldo sobre o próprio Oliver Kahn. Mas enfim, a Copa de 2002 está na Confederação Brasileira, e é isso que importa. Kahn tem o troféu individual na sua casa, mas não lhe vale de nada.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca1.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-8852" title="&quot;Del cielo al infierno&quot; é o nome de uma seção do Marca que avalia os principais personagens da semana com notas de 10 a 0. No dia seguinte à conquista do mundo, os responsáveis pelo título da Espanha ganharam nota 11 - &quot;Del cielo al paraíso&quot;." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca1.png?w=600&#038;h=394" alt="" width="600" height="394" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: E para o senhor, o melhor de 2010 teria sido Xavi, como muitos espanhóis comentaram?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Possivelmente o Xavi, sim. Ou o Iniesta, quiçá, pela transcendência que teve seu gol e porque fez uma boa final e um bom torneio. A eleição poderia estar entre os dois jogadores. Xavi começou a Copa um pouco fraco – foi de menos a mais. Iniesta manteve uma boa linha e, além disso, fez gols. Qualquer um dos dois poderia ter sido o Bola de Ouro.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Seu texto no Marca de segunda-feira, dia 12, falava sobre a humildade de Iniesta, um jogador eficiente em campo, mas discreto dentro e fora dos gramados. O senhor crê que se fez justiça para esse estilo com Iniesta marcando o gol histórico da final?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Sim, pois ele é um jogador que, estranhamente, embora tenha muita qualidade, não é midiático. Não sai muito na imprensa, nem faz muito ruído, nem se destaca por nada. É um jogador muito humilde, que foge completamente da figura de jogador de futebol a que estamos acostumados: com tatuagens, arozinho na orelha, pulseiras e faixa no cabelo. Iniesta não tem nada disso. É um tipo normal, que se pode encontrar na rua e não dirias que é futebolista. O gol dele é o triunfo da normalidade, e isso me parece certo. Me agrada que uma pessoa tão humilde e tão normal tenha recebido o prêmio inolvidável do gol e, com ele, entrado na história do esporte espanhol.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Agora toca pensar no futuro, também. De que maneira a Espanha pode se tornar uma equipe como a Alemanha, que chega sempre forte aos Mundiais, e não uma França, que depende de raras gerações boas?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Esse é o grande desafio que temos agora. Para isso, ajuda muito termos vencido já ao menos dois torneios importantes, como a Eurocopa e o Mundial. Eu creio que ganhar te faz entrar numa outra dimensão, na qual estão países como o Brasil ou como a Itália, que ano após ano apresentam equipes competitivas – embora desta vez a Itália tenha ido mal. O primeiro passo para se manter forte é ter jogadores de qualidade. Sem qualidade não há nada, por mais tradição que se tenha. A Espanha agora tem qualidade e juventude. Ademais, creio que os jogadores que vêm de baixo, que estão na Seleção Sub-19 que agora vai disputar o Europeu, vão ter um bom nível. Isso é muito importante. Se a essa qualidade tu unes a mentalidade de campeões que agora temos, com a experiência de ter ganho um Mundial, eu acredito que isso pode garantir pelo menos uma equipe competitiva para a próxima Eurocopa e para o Mundial do Brasil. Seria muito triste, com os anos que passamos tentando ganhar a Copa, que nos acontecesse como a França, que viu sua equipe desaparecer em quatro, seis anos. A Espanha tem a obrigação de se manter na primeira linha e tentar ganhar outro Mundial.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Para 2014 não haverá o polvo Paul&#8230; já se encontrou um substituto pra esse ícone da Copa de 2010?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Pois teremos que buscar um tubarão, uma baleia, ou qualquer outro tipo de animal que nos dê um empurrão e nos ajude a ganhar aí no Brasil. (<em>risos</em>) A verdade é que aqui, no começo, não se dizia nada do polvo Paul, mas conforme se ia acompanhando os resultados, de repente ele ganhou uma transcendência enorme. Eu recordo a sexta-feira, que foi quando ele deu os resultados da final, que todo mundo na Espanha estava pendente de um polvo. É inacreditável. Inclusive uma cadeia nacional de televisão transmitiu ao vivo como o polvo ia na direção da bandeira da Espanha. Mas em 2014 não estará o polvo, e teríamos que buscar um&#8230; um touro. Para nós um touro cairia bem, pois é um símbolo nosso.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marcapulpo.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-8853" title="Polvo Paul, também um personagem do título." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marcapulpo.png?w=600" alt=""   /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: E o polvo vai para Madrid mesmo? Como está a negociação?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Parece que há um zoológico em Madrid que tinha a intenção de comprar o polvo, mas no fim não chegou a um acordo com o zoológico da Alemanha. Isso é como os jogadores. O Real Madrid quer comprar um jogador alemão e o clube alemão não entra num acordo. (<em>risos</em>) No momento parece que o polvo vai ficar na Alemanha, mas para nós ele já fez um bom trabalho.</div>
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Ainda sobre 2014. A imprensa europeia, especialmente no início da Copa, fez algumas críticas à segurança na África do Sul. Existe um temor que o Brasil não consiga garantir a tranquilidade dos visitantes durante o Mundial?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Na África do Sul, no começo, houve problemas. Mas eles logo foram corrigidos e, no fim das contas, foi um bom Mundial e todos estão satisfeitos. Não creio que tenha havido muitos problemas mais que na Europa. Estou convencido que na Europa, nos Mundiais que aconteceram aqui, na Alemanha ou em qualquer outro, também houve roubos e também houve dificuldades. Creio que no fim tudo isso é controlado e que se fala demais de questões não tão grandes. A África do Sul esteve muito bem no Mundial e o Brasil, que já tem experiência em outros eventos, também não deve ter maiores problemas. Eu não acredito que haja dificuldades insuperáveis. O futebol ajuda mais a unir que a causar problemas.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Para a próxima temporada da Liga Espanhola, o Madrid quer contratar mais jogadores estrangeiros para recuperar o título, mas agora a maior parte dos campeões do mundo pela Espanha estão no Barça. O que pode fazer o Real Madrid contra esse Barcelona?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: O Real Madrid contratou Mourinho, um treinador que foi uma grande estrela desta temporada, mas Mourinho tem um problema que se chama Barcelona. O Barcelona está muito forte. E contratou David Villa antes do Mundial, uma transferência que agora teria custado muitíssimo mais dinheiro. É uma equipe que está montada, que tem juventude, e que está motivada e com fome para seguir ganhando. O Barcelona ainda é o grande favorito da Liga Espanhola. O Real Madrid fez uma equipe competitiva e agora está contratando jogadores de um perfil menor do que noutros anos. Este ano não houve um Cristiano Ronaldo, um Kaká, ou qualquer jogador deste porte nas especulações. São jogadores de menos destaque, como o argentino Di María, e agora o espanhol Pedro León, que nem mesmo joga pela Seleção, mas que é um bom jogador. No Bernabéu estão tentando armar uma nova equipe, mas o grande favorito segue sendo o Barcelona.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca4.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-8854" title="Di Stéfano e seu relato no dia após o título." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/marca4.png?w=600" alt=""   /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: E o Atlético de Madrid, consegue manter Forlán, agora que o uruguaio é o Bola de Ouro do Mundial?</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Já parece que começam a haver ofertas por Forlán. Aqui na Europa se fala que a Juventus de Turim pode oferecer 20 milhões de euros por ele. O problema dele é a idade. Forlán vai completar 32 anos e é difícil que saia por uma cifra grande. O Atlético se defende com a cláusula de rescisão, que é de 36 milhões de euros, uma quantia importante. Se o Atlético de Madrid conseguir manter o Kun Agüero e Forlán, e eu creio que conseguirá, já terá um êxito, e a partir daí pode tentar crescer. Já teve jogadores jovens que fizeram uma boa temporada: o goleiro De Gea, o central Domínguez, e com eles pode seguir crescendo. Mas seria muito importante que o Atleti conseguisse manter Forlán e Agüero.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><strong>P: Para encerrar a entrevista do modo como começamos, falando das vitórias da Espanha em diferentes esportes: por que a Espanha ganha tanto? Há um investimento significativo no esporte espanhol? O Brasil vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016 e seria válido saber como triunfar em modalidades que não sejam as de sempre&#8230;</strong></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">R: Não há um grande investimento em esporte na Espanha. A partir dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 houve mais ajuda para os esportistas, e é possível dizer que aquilo foi um pouco a base do que hoje chamamos de Idade de Ouro do esporte espanhol. Eu creio que as vitórias se devem mais ao fato de que a Espanha se modernizou a partir dos anos 80. Tínhamos um atraso de vinte ou trinta anos em relação à Europa, por conta da ditadura de Franco. Nos anos 80 isso mudou, nos igualamos à Europa, e a partir daí as novas gerações tiveram talento. Eu não saberia dizer uma fórmula para justificar por que os espanhóis estão ganhando&#8230; é uma mescla de talento, de competitividade, do fato de que gostamos muito de esporte neste país. Porque, se prestar atenção nos Jogos Olímpicos, não somos um país que ganhe muitas medalhas. Temos assegurada a medalha de Nadal, alguma coisa no atletismo, a medalha do basquete&#8230; e pouco mais. Ou seja: não somos um país muito medalheiro. Somos mais de momentos: ganhar Roland Garros, o Tour de France, o Mundial de Automobilismo com Fernando Alonso, e agora a Seleção Espanhola de futebol. Bom, aqui há talento, gostamos de esporte, o povo é competitivo e o país cresceu nos últimos anos. O que nos falta agora é jogar contra o Brasil, para sabermos quem manda de verdade no futebol. Falta ao mundo um jogo entre Brasil e Espanha.</div>
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<div style="text-align:justify;">Extras (reportagens veiculadas no rádio, produzidas em conjunto com Iuri Müller e Yuri Medeiros):</div>
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<div style="text-align:justify;"><a href="http://www.4shared.com/audio/4tMD_wWQ/REPORTAGEM_ESPANHA.html" target="_blank">Repercussão do título em Madrid, com Roberto Palomar</a></div>
<div style="text-align:justify;"><a href="http://www.4shared.com/audio/twCsMGTe/REPORTAGEM_CATALUNYA.html" target="_blank">Repercussão do título em Barcelona, com Pep Costa, redator do Diario Sport catalão</a></div>
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<div style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8849/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8849/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8849&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Crônica de Santiago Segurola no Marca do dia 12 de julho. Na ficha técnica, o detalhe: ao invés das tradicionais notas até 2 pela atuação de cada jogador, todo o time espanhol ganhou 4.</media:title>
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			<media:title type="html">Polvo Paul, também um personagem do título.</media:title>
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			<media:title type="html">Di Stéfano e seu relato no dia após o título.</media:title>
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		<title>Libertad, o con gloria morir</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 01:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[O caminhar apressado sobre o concreto da 18 de Julio ecoa por entre as ruas vicinais quase vazias. É ruidoso porque não reflete o simples bater do sapato no chão, mas vem acompanhado de cornetas, bumbos e evocações. Um ouvido mais apurado captaria o escorreito chiado do pavilhão oriental balançando ao vento. Restam instantes para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8819&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru83.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8835" style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="Todos os festejos." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru83.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div style="text-align:justify;">O caminhar apressado sobre o concreto da 18 de Julio ecoa por entre as ruas vicinais quase vazias. É ruidoso porque não reflete o simples bater do sapato no chão, mas vem acompanhado de cornetas, bumbos e evocações. Um ouvido mais apurado captaria o escorreito chiado do pavilhão oriental balançando ao vento. Restam instantes para o início da partida. Ainda há névoa em Montevidéu quando José Artigas, sobre seu cavalo de bronze, mira o fundo dos olhos de cada um dos milhares de uruguaios reunidos diante de si. Entre o libertador e o povo, uma transmissão desde a longínqua África do Sul oferece a visão de novos heróis. <span id="more-8819"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru34.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8821" title="Orientais descendo a 18." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru34.jpg?w=600&#038;h=445" alt="" width="600" height="445" /></a></div>
<div style="text-align:justify;">A intenção dessas ruas que se esvaziam de carros para encherem de espíritos a principal avenida é a mesma dessas sacadas sobre as quais se amontoam torcedores, que é a mesma dessas fachadas de edifícios tapadas por bandeiras, que é a mesma intenção berrada nessas cantorias: “volveremos, volveremos / volveremos otra vez / volveremos ser campeones / como la primera vez”. Ou como a segunda vez, lembrada numa dessas faixas penduradas pelas varandas, ansiosas pela reedição do épico a ponto de abandonar o castelhano – “1950 reloaded”. Os uruguaios acreditam na façanha. Para muitos, é um sentimento jamais sentido antes. E estes que estão enchendo os quadrantes da Independencia são na maioria jovens para os quais todos os feitos nunca saltaram dos livros de história.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru38.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8823" title="Povo aguarda o início do combate." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru38.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div style="text-align:justify;">Pois a distância e a irrealidade desapareceram. “La Celeste nunca muere”, comemora outro pano, pendurado a dezenas de metros do chão, “y esta es su leyenda”, sussurra o anônimo que olha para ela no segundo em que o uzbeque Ravshan Irmatov manda a pelota ser movida na Cidade do Cabo. Montevidéu e as buzinas. Montevidéu e os rojões. Montevidéu e a fé. “Nos sobra fe”, diz a capa do periódico Ultimas Noticias que um torcedor carrega embaixo do braço; pedaços de papel que logo estarão cruzando os ares no primeiro lance que faça o sangue subir às ventas e exija reações acaloradas dignas de um sul-americano. De todos os sul-americanos, que neste seis de julho o Uruguai é o último pendão do continente no Mundial.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru49.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8824" title="A 18 tomada por olhos atentos ao telão." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru49.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Joga-se pela América e também para vingar o Brasil, dizem os locais ao perceberem que dialogam com um sujeito vindo além da fronteira norte. Daquela terra estranha onde se fala português e que, apesar do enorme potencial para montar bons times, se quedou pelo caminho copeiro após cruzar com a Holanda que hoje se opõe à Celeste. Talvez só não se jogue pela Argentina, da qual tampouco se espera apoio. Os turistas estadunidenses que vagam por Montevidéu sem entender direito o tal do Soccer reclamam terem sido xingados ao tentar se aproximar dos torcedores da casa elogiando o futebol dos vizinhos. A rivalidade fez muitos uruguaios sonharem com uma final, permitida pela tabela, que repetisse a de 1930 – e que acabasse com sete jogadores para cada lado, após peleias infernais. O ascensorista do Edificio de la Ciudadela, aquele atrás do Artigas, torce o nariz ao ser questionado sobre um possível alento vindo depois do Prata. Não crê ter visto luz alguma no outro lado do rio.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru56.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8825" title="Período de tristeza." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru56.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div style="text-align:justify;">Se for verdade que as diferenças intrínsecas à personalidade de cada nação mantiveram os ânimos distanciados na hora do jogo, aos dezoito minutos de partida houve comemorações em Buenos Aires. No Green Point, Giovanni van Bronckhorst acertou um chute do tipo que só se dá uma ou duas vezes na carreira e fez um a zero para a Holanda. Na tarde gris de Montevidéu, as feições mudam e os peitos estufados para os gritos parecem murchar. O torcedor que nunca desejou olhar o jogo, que foi à praça para ficar de costas para o telão e acompanhar o andamento da partida nas reações dos outros, entende rápido. Ainda que breve, o silêncio é gritante. Ensimesmado, o homem puxa um cigarro e se senta na grama com os globos oculares esvaziados em depressão. À jornalista europeia que vê a cena e planeja arrancar umas boas aspas, pede com um gesto de mão que sua <em>soledad en medio de la multitud</em> seja respeitada.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru53.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8826" title="O céu desejava voltar a ter cor." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru53.jpg?w=600&#038;h=449" alt="" width="600" height="449" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Não são todos, claro, os que têm na cara a derrota antes mesmo de um terço de hora se completar. Boa parte dos uruguaios reunidos na praça segue balançando seus pañuelos e puxa cânticos ao modo que costumava impressionar brasileiros nas Libertadores de trinta ou quarenta anos atrás – a voz sai brutalmente mais forte para dizer que nada se perdeu. Como que para ajudar aqueles cujo pessimismo impediu que fossem tragados pelo novo vagalhão de esperança, o céu cinzento se abriu misteriosamente, poucos minutos depois do gol holandês. As vidraças ao lado de Artigas espelham o sol que não está mais apenas nas bandeiras, e o firmamento volta a se pintar de celeste passando a mensagem de que os deuses não aguentam mais ficar indiferentes.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru71.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8827" title="A Independencia vista do topo." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru71.jpg?w=600&#038;h=447" alt="" width="600" height="447" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Conforme o tempo melhora, e o Uruguai cresce em campo, aumenta a demanda para ter a cara pintada. Um punhado de moedas, ou uma só, é o custo para tingir a pátria na pele. O jogo tenso não causa o mesmo efeito comercial em relação à comida. Por alguns minutos, o nervosismo faz com que a única fome do Uruguai seja igual à dos atacantes, que querem se alimentar de gols. Mais por propaganda que por vontade de comer, ao vendedor de panchos só resta consumir a própria mercadoria. Ele aguarda o intervalo do jogo e a relativa tranquilidade de quinze minutos, capaz de botar alguns estômagos para roncar. Mas sabe que o caminho mais fácil para embolsar seus pesos é um pelotaço nas redes laranjas, saciando a todos os famintos da Banda Oriental.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru85.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8828" title="A volta da esperança." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru85.jpg?w=600&#038;h=449" alt="" width="600" height="449" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Esta bendita inanição não mata ninguém, mas consome as derradeiras reservas da sanidade que já havia quase desaparecido das mentes uruguaias depois de Gana. No entanto, ainda que se procurasse de Paysandú a Treinta y Tres, de Salto a Las Piedras, de Fray Bentos a Cerro Largo, dos Estados Unidos à Austrália, em nenhum canto onde se escondesse um uruguaio se encontraria algum mais famélico do que Diego Forlán. Que aos quarenta e um minutos fez quase toda a América do Sul vibrar, o Uruguai inteiro urrar, e a Independencia explodir de felicidade como os rojões estourados sob um temporal de papéis picados. No instante em que a bola passou a linha fatal de Stekelenburg, as faces sorridentes regressaram ao horizonte do sul do mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru63.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8829" title="Celebrações sem fim." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru63.jpg?w=600&#038;h=447" alt="" width="600" height="447" /></a></div>
<div style="text-align:justify;">Foi o momento transcendental de uma geração de torcedores que, na realidade, comporta duas ou três gerações de orientais. O épico de sexta-feira não havia sido um delírio isolado nesses dias julianos e os escritos dos livros eram muito mais que fábula. Entre uma garrafa de Patricia emborcada e uma caixinha de vinho bebericada, as frases dos jovens ao intervalo acumulavam termos não ditos para a Celeste havia tempos. O passado visto por poucos ficou definitivamente crível por todos, e o agora se tornava uma continuidade de tudo aquilo. Enquanto Uruguai e Holanda permaneceram recolhidos em seus vestiários sul-africanos, ser campeão do mundo foi sentença pronunciada no tempo futuro em Montevidéu.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru52.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8830" title="Tristeza nas faces." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru52.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Mas na volta ao campo a arbitragem surrupiou os sonhos do país, dando valor à irregularidade do segundo tento holandês. Três minutos mais tarde, aos vinte e oito da etapa complementar, Robben meteu outro. O placar elevado a três bolas na rede contra uma estabeleceu a aura de tristeza sobre os montevideanos. Alguns recolheram seus materiais, tencionando caminhar na direção da 18 de Julio e, de lá, para seus lares. Foram pouquíssimos, porém, os que de fato fizeram isso. Porque, antes de tomar esse rumo determinado por entre os prédios da capital, cada um deles se virava para trás. Via o telão reproduzir os celestes deixando tudo em campo e decidia que não era o momento de abandonar.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru57.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8831" title="Vamos Uruguay" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru57.jpg?w=600&#038;h=449" alt="" width="600" height="449" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Assim, que por mais que os minutos se passassem com a Holanda pressionando e a goleada ganhando ares de iminência, o público na praça não se reduziu. Ainda que se chorasse, acreditavam em algo tão grande quanto toda a história e todo o povo juntos. O Uruguai estava morrendo na Copa do Mundo, mas não o faria se não fosse da única forma que sabe viver: lutando. E se a liberdade para subir até o pedestal da taça e trazê-la para a Banda Oriental não seria conquistada, haveria para sempre a glória de ter estado muito perto disso. Aos quarenta e seis do segundo tempo, a luminosidade que os olhos ganham diante do impossível tomou conta de quem mirava a tela, e se expandiu até deixar o rosto inteiro radiante.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru84.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8832" title="O gol nos acréscimos e o orgulho restaurado pela luta." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru84.jpg?w=600&#038;h=448" alt="" width="600" height="448" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">O gol de Maxi Pereira fez valer a permanência até o fim. A fé na História. Quando todos estavam ocupados demais se abraçando e comemorando, General Artigas também deve ter levantado o braço para celebrar o dois a três. Os acréscimos encheram os corações de orgulho ao ver como o Uruguai crescia para cima da Holanda, e só os místicos podem dizer o que teria sido dos milhões de orientais se o empate tivesse vindo num daqueles enlouquecedores ataques finais. Com o último apito do uzbeque, a 18 de Julio não foi ocupada por duzentas mil pessoas festejando a classificação, como se queria antes do jogo, mas os que a percorreram cantavam com o mesmo ânimo de antes da partida.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru86.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8833" title="U-ru-guay, U-ru-guay" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru86.jpg?w=600&#038;h=456" alt="" width="600" height="456" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">A massa azulada que regressava para casa cantava e entoava mantras de exaltação ao time. “Soy Celeste” e “¡Uruguay! ¡Uruguay! ¡Uruguay!” eram palavras que subiam no ar, e os carros começaram a reaparecer nas ruas unindo suas buzinas ao movimento. Não se festejava a eliminação, naturalmente, mas a campanha e o renascer das perspectivas. Desde antes do jogo, o jornal El País pedia aos torcedores para que fizessem parte da história, anunciando que colocaria, na Plaza de Cagancha, faixas de cinquenta metros de comprimento para que todos assinassem com mensagens de apoio. A concorrência pelas canetas foi absurdamente maior depois do jogo do que nas horas prévias. Entre os vários textos, uma simples palavra coincidia: “Gracias”.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru82.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8834" title="Crianças ainda indiferentes à peleia." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru82.jpg?w=600&#038;h=449" alt="" width="600" height="449" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">As muitas crianças que estiveram na Independencia provavelmente não entenderam a real dimensão daquele dia. Crescerão tendo na memória os recuerdos das semanas em que viram na praça sua primeira Copa do Mundo – e, nela, estiveram frente a um grande selecionado. Por presenciarem tão cedo um momento desses, devem crescer mais inconformadas diante dos percalços futuros. Compõem pedaços de um Uruguai que não quer mais ser marcado pelo saudosismo – em todos os setores. Sabem desde logo que é possível ir além do que seus irmãos mais velhos e pais se acostumaram a ver.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru92.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8820" style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="&quot;Gracias por la alegría a todo un pueblo y la posibilidad de volver a creer&quot;" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/uru92.jpg?w=600&#038;h=449" alt="" width="600" height="449" /></a></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Ter noção de que os maiores feitos são realizáveis é parte fundamental do ato de buscá-los. Os montevideanos mais idosos, por exemplo, não traziam em si a mesma satisfação dos jovens após a derrota para a Holanda. Quem tinha idade, em 1950, para compreender o Maracanazo, segue querendo mais. Até pouco tempo atrás, esses anciãos mergulhados na melancolia costumavam assustar os mais novos dizendo que as glórias celestes não tinham como se repetir. Ao fim da terça-feira ainda tentavam disfarçar, mas nem eles conseguiam esconder a felicidade por este time de 2010. Como seria possível chegar tão longe, tanto tempo depois? A resposta eles dão com outra pergunta: “¿Conocés la Garra Charrúa?”</div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ilusionando.wordpress.com/8819/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ilusionando.wordpress.com/8819/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8819&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Todos os festejos.</media:title>
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			<media:title type="html">Orientais descendo a 18.</media:title>
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			<media:title type="html">Povo aguarda o início do combate.</media:title>
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			<media:title type="html">A 18 tomada por olhos atentos ao telão.</media:title>
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			<media:title type="html">Período de tristeza.</media:title>
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			<media:title type="html">O céu desejava voltar a ter cor.</media:title>
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			<media:title type="html">A Independencia vista do topo.</media:title>
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			<media:title type="html">A volta da esperança.</media:title>
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			<media:title type="html">Celebrações sem fim.</media:title>
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			<media:title type="html">Tristeza nas faces.</media:title>
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			<media:title type="html">Vamos Uruguay</media:title>
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			<media:title type="html">O gol nos acréscimos e o orgulho restaurado pela luta.</media:title>
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			<media:title type="html">Crianças ainda indiferentes à peleia.</media:title>
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		<title>Vestindo a bandeira dos deuses</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 16:54:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ilusionandoadmin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recuerdos]]></category>

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		<description><![CDATA[O azul do céu de Montevidéu sumiu e nenhum raio de sol ousa trespassar as nuvens que acinzentam o horizonte da capital do Uruguai. É a manhã do dia seis de julho de dois mil e dez. As ruas estão frias, as árvores nuas, e o inverno põe um vento gelado a soprar entre os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ilusionando.wordpress.com&amp;blog=10886282&amp;post=8804&amp;subd=ilusionando&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09709.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8805" title="Galeria El País." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09709.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a>O azul do céu de Montevidéu sumiu e nenhum raio de sol ousa trespassar as nuvens que acinzentam o horizonte da capital do Uruguai. É a manhã do dia seis de julho de dois mil e dez. As ruas estão frias, as árvores nuas, e o inverno põe um vento gelado a soprar entre os edifícios de topos empalidecidos pela névoa matinal. O sol está exclusivamente na bandeira. O celeste, apenas nas camisas. E o calor de hoje aparece somente nas esperanças de cada torcedor da Banda Oriental. Não é preciso mais. Na Plaza de La Independencia, Artigas contempla a montagem do tradicional telão diante da 18 de Julio, que em breve verá os carros substituídos por milhares de almas. Todas motivadas pelo sentimento de convocação que se repete no luminoso sobre a entrada da galeria do jornal El País: “sé parte de la historia”. <span id="more-8804"></span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*<a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09761.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8806" title="DSC09761" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09761.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a><br />
</span></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Pouco a pouco, as bandeiras que tremulam nos varais dos vendedores ambulantes começam a ser empunhadas pelos transeuntes. Os periódicos falam em espremer laranjas, jogar a vida e saudar a grandeza de ser uruguaio. “Somos o Uruguai e devemos fazer com que o mundo saiba disso”, disse Fucile, antes da batalha contra Gana. O mundo havia esquecido. Os pôsteres que agora se exibem nas bancas de jornais montevideanas, pôsteres de Forlán em chamas com seu gol de falta, de Loco Abreu celebrando após o “penal picado” da classificação, de Muslera catando uma das cobranças ganesas e, acima de tudo, de Luis Suárez mantendo com as mãos os sonhos de várias gerações – esses pôsteres recordam o dia em que o mundo voltou a respeitar o Uruguai.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*<a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09729.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8807" title="Telão na Independencia." src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09729.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a><br />
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">A antologia de sexta-feira no Soccer City soprou as décadas de poeira depositadas sobre as façanhas uruguaias. De súbito, no instante em que a pelota de Gyan se esmagou no travessão e a mão de Suárez representou a Salvação, as glórias do passado ganharam novas luzes. A história de glórias uruguaias se repetiu na jornada de Johannesburgo e, ao contrário do que Karl Marx escreveu certa feita, não foi como farsa. O Uruguai buscou sua própria identidade para não ser mais um grito de outros tempos. E, desde as quartas-de-final, o Uruguai é hoje. O futebol reflete o ânimo renovado que se apodera deste povo tido tantas vezes como velho e melancólico. Mesmo com todas as limitações de um país com três milhões e meio de habitantes e escassa industrialização, os índices socioeconômicos têm melhorado nos últimos tempos. Mesmo com as inúmeras dificuldades de se montar uma seleção de alto nível num país tão pequeno, a Celeste atingiu as semifinais do Mundial – ou, como se prefere dizer por aqui, é uma das quatro melhores equipes do mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*<a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09780.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8808" title="DSC09780" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09780.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a><br />
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Mas a esperança é a ilusão do presente projetando a felicidade futura. Como não fazia há décadas, o Uruguai que se vê grande hoje acredita em surgir ainda maior amanhã. Não há uma esquina em que não se veja algum pedaço da cor azul que estava no céu, esta bandeira dos deuses, e os orientais roubaram. E em qualquer lugar que se vá, a seleção aparece. Seja numa foto, numa flâmula, num comentário. Ontem, em Rivera, alguns senhores com idade para ter festejado o Maracanazo discutiam sobre as semifinais da Copa. Concordaram que a Alemanha e a Espanha, que se enfrentam numa das pontas, eram seleções de estilos bastante distintos. Sobre o Uruguai, não queriam discutir com a razão. Quando um fez uma previsão mais pessimista, questionando a opinião dos demais sobre o favorito numa eventual final entre germânicos e holandeses, ouviu imediatamente: “Holanda y Alemania sólo en el partido por el tercer puesto. No olvides que Holanda juega con nosotros”.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*<a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09724.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8809" title="DSC09724" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09724.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a><br />
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Nas ruas de Montevidéu, versões platinas da vuvuzela sul-africana já se fazem ouvir a quatro horas do início da partida. Os jornaleiros empilham as publicações que anunciam o confronto, os livreiros vestem suas bufandas, e os donos de bares próximos à Independencia oferecem como atrativo de seu estabelecimento a chance de ver o jogo num telão – o da praça. Isso porque o gris do firmamento, as gotículas de água que formam a bruma e gelam os ossos e o vento que leva os gorros mas não as aspirações são elementos que talvez impeçam a 18 de Julio de se ocupar inteiramente de aficionados durante a partida. Garoas intermitentes buscam complicar um pouco mais o momento. Não se pode torcer pela Celeste sem passar pelo sofrimento que precede a consagração. Ainda que se refugiem diante da tevê em casa, os cidadãos de Montevidéu, de Melo, de Rivera, de Tacuarembó, de Paso de los Toros e de todos os outros cantos do país passarão alguns dos momentos mais difíceis de suas existências. Desejando poder sair do lar, depois, para festejar &#8211; sob qualquer intempérie.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<p><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09777.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8810" style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="DSC09777" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09777.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<div><a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09777.jpg"></a></p>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Há o peso de uma vida inteira sem ter visto a bandeira uruguaia chegando tão longe nas tabelas mundialistas. Ainda se roem unhas freneticamente e se arrancam os cabelos em desespero quando o adversário ronda a área. Em muitas famílias, até mesmo os abuelos podem não ter a memória dos dias em que viveram momentos maiores que este. E quem viu as semis de 1970 não costuma compará-las às atuais: a grandeza de agora é dada como superior àquilo e, no sonho, capaz de se igualar à de 1950. É seis de julho de dois mil e dez em Montevidéu. Onze horas e meia da manhã. Um dia em que a natureza apagou a si própria para dizer que, hoje, só o povo pode brilhar. Ou então pode ser que o cinza esteja porque este povo, depois de tocar o céu na sexta, tenha decidido puxá-lo para si e torná-lo algo só seu.</div>
<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*<a href="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09725.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8811" title="DSC09725" src="http://ilusionando.files.wordpress.com/2010/07/dsc09725.jpg?w=600&#038;h=450" alt="" width="600" height="450" /></a><br />
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<div id="_mcePaste" style="text-align:justify;">Vestem-no. Estamos a duzentos e quarenta minutos da maior guerra futebolística do Uruguai nos últimos sessenta anos e as camisas celestes se multiplicam nas ruas.</div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">*</span></div>
<div style="text-align:justify;"><strong>Maurício Brum</strong></div>
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