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Se Deus está por nós…

Narrando o jogo com uma preocupante FALTA DE NOÇÃO, defini a movimentação dos torcedores do Internacional de Santa Maria como um “FLUXO MIGRATÓRIO na direção das saídas do estádio”. Por mais terras que se percorra, é daquelas cenas que sempre serão revestidas de significado atemporal – um povo desistindo das suas esperanças. A debandada geral das arquibancadas da Baixada tornada mais Melancólica pelo resultado se deu a partir dos 78 minutos, no gol de Nicolas.
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O São Luiz fazia então 0 a 2 sobre o colorado santa-mariense. Na penumbra que é o gramado do Presidente Vargas, os de Ijuí desfilavam melhor desde o primeiro tempo. Empilhavam chances pelo maior volume de jogo, e incrementavam seu repertório de ações conforme os minutos passavam. César, o goleiro do Inter-SM, era destaque dos locais ao intervalo, e isso dizia muito sobre a falta de ideias da equipe da casa. Além dele, apenas Willian Feijó, no meio, e Júlio César, na lateral-esquerda, demonstraram ter em suas mentes alguma perspectiva de solução.
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A maior efetividade ijuiense se converteu em gol logo depois do retorno dos vestiários, no segundo minuto da etapa complementar, quando Eraldo emendou um testaço no fundo da goleira erguida à frente da torcida Fanáticos da Baixada. Em pouco tempo, seria a mesma Fanáticos a única a manter algum barulho de apoio ao time. Mais por insistência que por mérito dos seus representantes em campo. Outros torcedores, indignados com a irritante lerdeza da equipe, os passes errados que devem ter roçado a casa do MILHÃO e os chutes que atravessavam as nuvens e morriam criando novas crateras na lua, resignavam-se com vaias ou comentários do tipo: “tem que perder mesmo”.
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Percebendo-se superior, o São Luiz se manteve em cima. Nicolas, um guri aparecido na pré-temporada são-luizense como promissor, entrou durante o segundo tempo e correspondeu aos anseios de quem brigou para mantê-lo em Ijuí. Assim que se destacara em fins de dezembro, Nicolas concluiu que seu salário era baixo demais e achou por bem complementar os ganhos atuando a soldo na várzea. Com efeito, sua multa rescisória, proporcional aos rendimentos, suava para atingir o valor de dois mil reais. A injuriada direção do São Luiz fez menção de mandá-lo embora, Nicolas chegou a ser anunciado como reforço do Santo Ângelo para a Segundona, mas as coisas se acertaram.
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Ontem, ele fardou com o número 18 e fez com que a torcida de Santa Maria se ESFALFASSE de seu time. Invadindo a área na base de gambetas e acendendo as chamas dos confins do inferno ao redor dos zagueiros do Inter, Nicolas meteu o gol que esvaziou a Baixada. Concordando com o sentimento da sua torcida, o Coloradinho não fez mais nada depois daquilo. O São Luiz, cujos jogadores parecem ter três pulmões nesse começo de campeonato, continuou correndo e pisoteando as linhas adversárias. Aos 90 minutos, num veloz contra-ataque ijuiense, a bola chegou aos pés de Glauber, que bateu colocado e aproximou o placar da goleada, metendo 0 a 3.
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Uma margem tão larga de golos foi PEREMPTÓRIA para semear a raiva entre os seres que compõem a torcida do Inter-SM. As arquibancadas clamavam por cabeças. As ruas forneciam aficionados dispostos a dar declarações indignadas aos microfones. Os fóruns da internet se enchiam de pedidos de mudanças. Na mais movimentada comunidade do clube no Orkut, o lateral-esquerdo reserva Anderson Cruz respondia aos torcedores mais raivosos. Saudou o titular da posição, o atuante Júlio César, como o melhor do time, mas deixou claro que só perdeu a vaga no último jogo-treino porque “ESTAVA FUDIDO DE GARGANTA E FEBRE (sic)”.
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O São Luiz manteve seu histórico surpreendentemente bom contra o Inter em Santa Maria – havia vencido cinco e empatado dois dos últimos dez jogos disputados antes de ontem na Baixada, válidos pela primeira e segunda divisões. A equipe de Ijuí fez uma pré-temporada de resultados inquietantes e, na rodada de abertura do campeonato, teve o revés da lesão de Chiquinho. O principal líder e articulador do time sofreu uma lesão no joelho que deu razão aos mais pessimistas e deve tirá-lo dos duelos até o fim do primeiro turno.
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Apesar do TITUBEIO, o início de estadual tem corrido como se os deuses fossem simpáticos à causa são-luizense. Por enquanto, duas vitórias em dois jogos, nem um gol sofrido e uma das maiores vitórias da história – literalmente, após os 0 a 3 de ontem. Em todas as suas 21 participações anteriores na elite do Gauchão, o quadro de Ijuí nunca conseguira triunfo por mais de dois gols de vantagem atuando como visitante. Por campeonatos oficiais de qualquer divisão, a última vez havia sido há quase vinte anos: ao fazer 1 a 5 fora de casa sobre a Associação Santa Bárbara, pela Segundona de 1990, em 17 de junho daquele ano.
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Lamentando a pesada derrota e sem apoio divino ou terreno, o presidente do Inter-SM Marineu Ziani surpreendeu na entrevista depois do apito final, soltando um “mas eu estou SATISFEITO”. Concluiu o raciocínio flávio-obinístico dizendo que o novo sistema de CATRACAS do estádio havia funcionado bem, o que possibilitava divulgar mais rapidamente o total de torcedores. Graças a essa tecnologia INDISPENSÁVEL, ficamos sabendo de antemão que mais de 1,6 mil pessoas foram à cancha para se frustrar.
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Maurício Brum
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  1. Guto
    22/01/2010 às 11:34

    da-lhe ooooooo
    ooo sao luiz é copeeerooo

    hehehe =)

    segundo ano consecutivo que ganhamos lá.

    teve torcida do sao luiz neh? parece que foi um bus pra lá, e que de novo, o pau quase comeu – ano passado, fomos entre 15. Uma sprinter com 10 e um carro com 5 pessoas, e a Brigada Militar colocou DUAS mulheres brigadianas para nos proteger na hora da saída do estádio! tensão infinita! mas, valeu :D

    • 22/01/2010 às 15:31

      Eu estive lá no ano passado, e a presença da torcida do São Luiz foi grande mesmo. Ouvi essa promessa do ônibus para o jogo da quarta-feira, mas ele não apareceu. Não sei o que houve, se deu algum problema ou se faltaram interessados mesmo (o organizador da excursão, parece, acabou vindo para Santa Maria em carro próprio).

  2. Diego
    22/01/2010 às 16:18

    Nonsense(ns) o presidente do SM. Además, ‘se deus está por nós… eles jogam mal.’

    (Ou a culpa pode ser do narrador pé-frio…)

  1. 31/01/2010 às 19:42

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