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Archive for março \30\UTC 2010

O espírito Gaúcho não morre

30/03/2010 4 comentários
“Hoje vai dar Gaúcho”. Torcedores são palpiteiros. Torcedores acertam e clamam aos ares que foram profetas. Torcedores erram e ignoram o que disseram antes de a partida começar. Ou botam a desculpa na má atuação de algum ou outro jogador. Torcedores comuns não têm qualquer poder em suas palavras quando preveem um resultado. Atiram verbetes no vácuo e, bem, torcem. Mas quem dizia aquilo era Daison Pontes. (pone un poquito más de huevo)
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O concreto chora

25/03/2010 1 comentário
¿Ha entrado usted, alguna vez, a un estadio vacío? Haga la prueba. Párese en medio de la cancha y escuche. No hay nada menos vacío que un estadio vacío. No hay nada menos mudo que las gradas sin nadie.
(Eduardo Galeano)

De celebrar um gol como visitante

23/03/2010 2 comentários
Hoje nós vamos fazer tudo certo. O goleiro vai pegar até as ideias dos centroavantes adversários. O juiz vai apitar todas as faltas para o nosso lado – inclusive as que nunca foram. O meio vai patear o balão com uma classe desconhecida em todos os dias anteriores. O ataque será imparável e a defesa, invencível. Um gol, dois gols, três gols, talvez mais – para nós. Nenhum – para eles. Hoje sim.
*
E na cancha rival. (ilusiona un poquito más)

Habemus tradição

16/03/2010 1 comentário
Um estádio, quando é frequentado há certo tempo, faz você ficar impregnado dele. Decorá-lo, conhecer as confidências escondidas no coração dos tijolos. E sentir impressa na pele a textura do concreto de cada centímetro quadrado da arquibancada. Estádios têm seus times habituais e se confundem com eles. Mas os jogadores cambiam anualmente. Agarram-se aos corrimãos do túnel e chegam à garganta que dá acesso ao campo sem ter certeza de onde se meteram. Ainda assim, são levados por tradições surgidas não se sabe bem quando, mas perpetuadas enquanto se puder – às vezes, involuntariamente. (ilusiona un poquito más)

Politeísmo pagão

“Vês aqueles fiéis além da campina?”, diz o ancião, apontando para os degraus onde vários se aprumam do outro lado da grama úmida de orvalho. “Frequento o templo há meio século”, prossegue, “e esses hinos devem existir há um dízimo deste período”. O velho avança pedindo para que o interlocutor ouça bem aqueles cânticos. “Eles se dizem fiéis… mas não são, não podem ser. No meu tempo nós éramos monoteístas.”

O dia em que o São Luiz superou os Donos da Terra

06/03/2010 1 comentário
Cada vez que un dueño de la tierra proclama
Para quitarme este patrimonio
Tendrán que pasar sobre mi cadáver
Debería tener en cuenta
Que a veces pasan.
(Mario Benedetti)

O magnata do chá que criou todas as Copas. Ou quase isso

Com quinze anos, ele assinou contrato com estrangeiros e cruzou o Atlântico para fazer a vida. Como não era um jogador de futebol brasileiro querendo a Europa, até o caminho foi inverso: para pagar sua viagem até os Estados Unidos, o escocês Thomas Lipton aceitou ser contratado para trabalhar no navio que o levaria até a América. Era 1864 e, enquanto ele saía pelo mundo para fazer fortuna, na sua Grã-Bretanha natal o football se formava. Décadas depois, Lipton seria um dos maiores incentivadores da expansão do esporte. (un poquito más de té)