Vestindo a bandeira dos deuses

O azul do céu de Montevidéu sumiu e nenhum raio de sol ousa trespassar as nuvens que acinzentam o horizonte da capital do Uruguai. É a manhã do dia seis de julho de dois mil e dez. As ruas estão frias, as árvores nuas, e o inverno põe um vento gelado a soprar entre os edifícios de topos empalidecidos pela névoa matinal. O sol está exclusivamente na bandeira. O celeste, apenas nas camisas. E o calor de hoje aparece somente nas esperanças de cada torcedor da Banda Oriental. Não é preciso mais. Na Plaza de La Independencia, Artigas contempla a montagem do tradicional telão diante da 18 de Julio, que em breve verá os carros substituídos por milhares de almas. Todas motivadas pelo sentimento de convocação que se repete no luminoso sobre a entrada da galeria do jornal El País: “sé parte de la historia”. (ilusiona un poquito más)
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Dos ladrilhos de Rivera

Saio de Livramento, desço a Sarandí e, enquanto o sul brasileiro se transforma em norte uruguaio, no firmamento o sol é tapado por outro sol – este, acompanhado por faixas celestes e brancas. Os pavilhões uruguaios se reproduzem nas esquinas. No dia em que o país deles joga pela Copa do Mundo, é contra o meu. Meu português curtido por anos e o castelhano de tão poucos recursos quanto o maior craque do Fiji disfarçam, mas um olhar sobre a minha naturalidade na carteira de identidade me faria ser caçado pelas ruas: “França”. (ilusiona un poquito más)

Duelo à sombra dos ciprestes

Domingo, 6 de junho de 2010, Farroupilha. Estádio das Castanheiras, circundado por CIPRESTES e vizinho de um CTG batizado como RONDA CHARRUA. O Brasil local e o Cruzeiro de Porto Alegre empatam por 1 a 1, com cartões vermelhos, polêmica e algo de superação. Mas este não é o relato do jogo, nem a elegia dos cruzeiristas que, abandonados em Porto Alegre, podem subir e se mudar para CACHOEIRINHA. O texto em questão está no Impedimento. Aqui, quarenta retratos que traduzem os MEANDROS do combate dominical (para as legendas, passe o cursor do mouse sobre a imagem). (ilusiona un poquito más)

Na borda sul do Rio Grande… (há um clássico)

03/05/2010 3 comentários
… o verde ressequido das campinas que jazem sobre Bagé é pisoteado com fúria pelos representantes de dois clubes de grandeza singular. Juntos, Guarany Futebol Clube e Grêmio Esportivo Bagé formam o clássico interiorano com mais títulos estaduais de todo o pampa. Somam três taças da elite gaúcha, oito vice-campeonatos e cinco títulos da mui leal (?) e valorosa Segundona Gaúcha. Foram, ainda, os melhores times interioranos do Campeonato Gaúcho em doze ocasiões. Desde ontem, a rivalidade Ba-Gua ostenta uma nova marca: é das poucas no MUNDO a ter chegado aos 400 clássicos realizados. (ilusiona un poquito más)

Os metafísicos da camisa um

13/04/2010 1 comentário
“Tens muito tempo para pensar, sozinho, no meio da multidão. Ou te tornas filósofo, ou és pego pela loucura. Às vezes, as duas coisas.”
(Lev Yashin)

O espírito Gaúcho não morre

30/03/2010 4 comentários
“Hoje vai dar Gaúcho”. Torcedores são palpiteiros. Torcedores acertam e clamam aos ares que foram profetas. Torcedores erram e ignoram o que disseram antes de a partida começar. Ou botam a desculpa na má atuação de algum ou outro jogador. Torcedores comuns não têm qualquer poder em suas palavras quando preveem um resultado. Atiram verbetes no vácuo e, bem, torcem. Mas quem dizia aquilo era Daison Pontes. (pone un poquito más de huevo)

O concreto chora

25/03/2010 1 comentário
¿Ha entrado usted, alguna vez, a un estadio vacío? Haga la prueba. Párese en medio de la cancha y escuche. No hay nada menos vacío que un estadio vacío. No hay nada menos mudo que las gradas sin nadie.
(Eduardo Galeano)