“A Seleção Espanhola foi um ponto de união de todo o país”

Desde domingo, os espanhóis tocam o céu. Mas só se interessam por uma estrela: a que simboliza o título mundial. Por conta das defesas de Iker Casillas, da artilharia de David Villa, do gol do agora imortal Andrés Iniesta, da maestria de Xavi Hernández no centro, da segurança de Carles Puyol na defesa… ou das profecias do “pulpo” Paul no Aquário de Oberhausen. Não importa a que exatamente se deveu a vitória, como tampouco importam os clichês tão repetidos pela imprensa brasileira de que o título espanhol representou o triunfo do futebol bonito e etcétera. O momento em que a taça foi erguida o mais alto possível para que todos pudessem ver que a frase tão sonhada – “A Espanha é campeã do mundo” – era enfim real transcende o futebol: a crise econômica e o desemprego foram esquecidos por alguns dias, e até o povo das regiões separatistas esteve ao lado da Seleção como nunca antes. Por todo o país, 86% dos televisores estiveram ligados na transmissão do jogo contra a Holanda e, após o apito final, mais de 25 milhões de espanhóis tomaram as ruas em celebração. A realidade volta a se impor conforme os dias mundialistas vão se quedando no passado, mas na Espanha ainda se flutua entre as nuvens. Com o suporte de Iuri Müller e Yuri Medeiros, conversei na sexta-feira com Roberto Palomar, redator-chefe do Diário Marca de Madrid, o maior periódico esportivo da Espanha. A entrevista que se segue é um relato desde o paraíso proporcionado pelo título mundial.  (Todas as imagens que ilustram a postagem são reproduções das páginas do Marca de segunda-feira, 12 de julho de 2010, dia seguinte à conquista do planeta)

Libertad, o con gloria morir

07/07/2010 1 comentário
O caminhar apressado sobre o concreto da 18 de Julio ecoa por entre as ruas vicinais quase vazias. É ruidoso porque não reflete o simples bater do sapato no chão, mas vem acompanhado de cornetas, bumbos e evocações. Um ouvido mais apurado captaria o escorreito chiado do pavilhão oriental balançando ao vento. Restam instantes para o início da partida. Ainda há névoa em Montevidéu quando José Artigas, sobre seu cavalo de bronze, mira o fundo dos olhos de cada um dos milhares de uruguaios reunidos diante de si. Entre o libertador e o povo, uma transmissão desde a longínqua África do Sul oferece a visão de novos heróis. (ilusiona un poquito más)

Vestindo a bandeira dos deuses

O azul do céu de Montevidéu sumiu e nenhum raio de sol ousa trespassar as nuvens que acinzentam o horizonte da capital do Uruguai. É a manhã do dia seis de julho de dois mil e dez. As ruas estão frias, as árvores nuas, e o inverno põe um vento gelado a soprar entre os edifícios de topos empalidecidos pela névoa matinal. O sol está exclusivamente na bandeira. O celeste, apenas nas camisas. E o calor de hoje aparece somente nas esperanças de cada torcedor da Banda Oriental. Não é preciso mais. Na Plaza de La Independencia, Artigas contempla a montagem do tradicional telão diante da 18 de Julio, que em breve verá os carros substituídos por milhares de almas. Todas motivadas pelo sentimento de convocação que se repete no luminoso sobre a entrada da galeria do jornal El País: “sé parte de la historia”. (ilusiona un poquito más)

Dos ladrilhos de Rivera

Saio de Livramento, desço a Sarandí e, enquanto o sul brasileiro se transforma em norte uruguaio, no firmamento o sol é tapado por outro sol – este, acompanhado por faixas celestes e brancas. Os pavilhões uruguaios se reproduzem nas esquinas. No dia em que o país deles joga pela Copa do Mundo, é contra o meu. Meu português curtido por anos e o castelhano de tão poucos recursos quanto o maior craque do Fiji disfarçam, mas um olhar sobre a minha naturalidade na carteira de identidade me faria ser caçado pelas ruas: “França”. (ilusiona un poquito más)

Duelo à sombra dos ciprestes

Domingo, 6 de junho de 2010, Farroupilha. Estádio das Castanheiras, circundado por CIPRESTES e vizinho de um CTG batizado como RONDA CHARRUA. O Brasil local e o Cruzeiro de Porto Alegre empatam por 1 a 1, com cartões vermelhos, polêmica e algo de superação. Mas este não é o relato do jogo, nem a elegia dos cruzeiristas que, abandonados em Porto Alegre, podem subir e se mudar para CACHOEIRINHA. O texto em questão está no Impedimento. Aqui, quarenta retratos que traduzem os MEANDROS do combate dominical (para as legendas, passe o cursor do mouse sobre a imagem). (ilusiona un poquito más)

Na borda sul do Rio Grande… (há um clássico)

03/05/2010 3 comentários
… o verde ressequido das campinas que jazem sobre Bagé é pisoteado com fúria pelos representantes de dois clubes de grandeza singular. Juntos, Guarany Futebol Clube e Grêmio Esportivo Bagé formam o clássico interiorano com mais títulos estaduais de todo o pampa. Somam três taças da elite gaúcha, oito vice-campeonatos e cinco títulos da mui leal (?) e valorosa Segundona Gaúcha. Foram, ainda, os melhores times interioranos do Campeonato Gaúcho em doze ocasiões. Desde ontem, a rivalidade Ba-Gua ostenta uma nova marca: é das poucas no MUNDO a ter chegado aos 400 clássicos realizados. (ilusiona un poquito más)

Os metafísicos da camisa um

13/04/2010 1 comentário
“Tens muito tempo para pensar, sozinho, no meio da multidão. Ou te tornas filósofo, ou és pego pela loucura. Às vezes, as duas coisas.”
(Lev Yashin)